MATO GROSSO, 08/02/2012 - 2:08

Vale

21/10/2009 | Agnello de Mello e Silva

Sem muito o que comemorar

Divulgação

Agnello de Mello e Silva*

Em 2008 Jaciara chegou ao seu cinqüentenário. A cidade comemorou o aniversário em meio às festas por conta da reeleição do prefeito Max Joel Russi, que venceu, com larga vantagem, a disputa contra o ex-prefeito Valdizete Martins Nogueira em uma eleição que em termos eleitorais foi pra lá de tranqüila, mas que ficou marcada por alguns episódios, como o atentado a TV Cidade.

Hoje, Jaciara chega aos 51 anos e, diferente do ano passado, a cidade não tem muito o que comemorar. Com suas finanças combalidas por conta não só da crise mundial, mas também pela crise das usinas Pantanal e Jaciara, a prefeitura vai aos trancos em busca de um barranco para tentar dar uma embalada.

A coisa está feia! A prefeitura perdeu, pelo menos por enquanto, a sua capacidade de investimento. Com muito sacrifício está conseguindo realizar as obras de asfalto, que mesmo de qualidade duvidosa, está tomando conta dos bairros da cidade.

Mas como dificuldade pouca é bobagem, neste exato momento as frentes de trabalho estão paralisadas por conta da greve da Caixa Econômica, já que o dinheiro para as obras de asfalto é liberado pela instituição.

Fora isso, o município está construindo o calçamento da Avenida Antonio Ferreira Sobrinho, obra que virou uma verdadeira novela e que de uma ação que deveria ser positiva para administração, acabou se transformando em um foco de grande desgaste tal a enrolação dos serviços.

Isso sem contar a reforma e ampliação do Estádio Márcio Cassiano, que por conta da burrada sabe-se lá de quem, já que nesta hora ninguém é culpado, está parada porque o projeto previa a construção da área vip à frente de parte das arquibancadas, coisa realmente de “gênio”, e o Ministério Público resolveu averiguar a situação.

Ainda por conta dos efeitos da crise, a cidade está cheia de buracos, e olha que as chuvas estão apenas começando, e até a energia do paço municipal chegou a ser cortada por falta de pagamento. Realmente a coisa está feia!

Para finalizar esta parte, duas grandes expectativas para 2009 ainda não se concretizaram: o início das obras da passagem urbana na BR-364, o que garantiria algumas dezenas de postos de trabalho e ajudaria a movimentar o comércio local; e a vinda de pelo menos uma indústria de médio porte.

Na questão da indústria, sabe-se que existem algumas conversas em andamento, mas por cautela e para evitar as mesmas especulações e desgastes gerados pela não instalação de uma unidade da Perdigão na cidade, investimento que chegou a ser dado como certo; o prefeito Max Joel Russi só falará sobre o assunto quando tiver algo de concreto. Está certo ele.

Já a passagem urbana ninguém sabe, ninguém viu, pois a prefeitura tem o péssimo hábito de não manter a população informada sobre o andamento de projetos que ela mesma (prefeitura) anunciou que seriam executados, o que acaba gerando especulações e mais desgastes.

O que mais me intriga nisso tudo é a falta de capacidade que a administração vem demonstrando para reagir aos percalços. E nesse aspecto, cabe aqui uma defesa do prefeito Max, pois ele não administra sozinho. A gestão é compartilhada com secretários e diretores. O problema é que dessa turma só se salva uns 40%. Os outros 60% podem ser dispensados porque não farão falta nenhuma à administração.

Em meio aos problemas da prefeitura, a cidade segue sua vida. O comércio ainda se recupera do baque provocado pelo período em que as usinas ficaram inativas e sem pagar em dia os salários dos seus funcionários e os compromissos com os fornecedores locais, o que gerou uma divida em efeito cascata e que ainda não foi totalmente liquidada, o que só deve ocorrer, segundo previsões, no início de 2010.

Em meio à crise das usinas, a cidade segue a sua vida. Alguns audaciosos empresários desafiam o momento ruim e, intuitivos, ampliam seus negócios ou abrem novos.

É o caso de Dilmar Stroher, que está dobrando o tamanho do Supermercado Mantiqueira, do grupo de Goiás que a abriu o frigorífico Garrote, dos empresários locais que se uniram e estão retomando as obras do esqueleto e de mais alguns outros que abriram novas empresas na cidade.

Em meio a tudo isso, entre promessas e expectativas, Jaciara segue a sua rotina de cidade pólo de uma região que se ressente da falta de uma maior representatividade política, tanto em Cuiabá quanto em Brasília, e de uma ação mais contundente de seus políticos para garantir os investimentos que a cidade precisa para fazer com que o turismo deixe de ser uma promessa e se transforme, de fato, em uma fonte de renda, já que a única matéria prima que temos em abundância são as nossas belezas naturais.

Além de belezas naturais, Jaciara também é rica na garra e na vontade do seu povo em trabalhar pela construção de uma cidade cada vez melhor; de uma cidade que realmente ofereça qualidade de vida e oportunidade para todos. E é a força dessa gente que enche os nossos pulmões de ar para dizermos, em alto e bom som: Parabéns Jaciara! O futuro nos espera!