MATO GROSSO, 08/02/2012 - 2:19

Vale

12/09/2009 | Agnello de Mello e Silva

A sacanagem de Jayme Campos

Divulgação

Agnello de Mello e Silva*

O senador Jayme Campos (DEM) deu uma clara demonstração porque não deve ser novamente governador de Mato Grosso. Ao tirar uma licença de 121 dias, esse senhor, que vem a ser um político pra lá de ultrapassado, agiu com sordidez, mesquinhez, com sentimento de vingança, enfim, sua atitude foi digna de todos os adjetivos inerentes à velha e repugnante forma de fazer política. E nós, população, definitivamente não precisamos e não podemos mais conviver e ter nosso patrimônio dirigido por políticos dessa estirpe.

Só para que o leitor que não tem acompanhado o noticiário se situe, quando um senador tira uma licença de até 120 dias o Senado da República não precisa convocar o suplente. Acima deste prazo a convocação é obrigatória e foi por isso que o senhor Jayme Campos resolveu tirar exatos 121 dias de licença.

Ocorre que o primeiro suplente de Jayme é Luiz Antonio Pagot, hoje diretor geral do DNIT e um dos principais desafetos do ultrapassado político. Para assumir a cadeira, mesmo que por 10 minutos, Pagot teria que pedir demissão no DNIT, o que não seria bom para o Estado, e caso não assumisse, ele perderia a condição de suplente.

Por saber disso e também de que Pagot não deixaria a direção do DNIT, já que se o fizesse teria muitas dificuldades para voltar depois, foi que Jayme pediu exatos 121 dias de licença. Resultado: Pagot não assumiu e perdeu definitivamente a condição de suplente. A vaga acabou sendo ocupada por Osvaldo Ferreira Sobrinho, um dos campeões de aposentadorias no Estado.

Lógico que os correligionários e puxa sacos (esses em maior número) correram para aplaudir a jogada de mestre, a “esperteza” política, a inteligência do “grande” líder e como aqui no Estado quase tudo termina em churrasco, a atitude de Jayme deve ter sido comemorada com uma boa churrascada, só que com carne de jacaré.

À luz da razão, o que Jaime fez foi uma tremenda sacanagem, uma jogada política baixa, sórdida, que relembra o velho jeito de fazer política que, aliás, ele conhece muito bem, já que está anos a fio fazendo e vivendo da política.

Não morro de amores pelo Pagot, acho-o metido a sabichão, mas é preciso reconhecer o mérito da sua decisão em não deixar o DNIT, em sacrificar a sua condição de suplente para evitar que o Mato Grosso perdesse a direção deste órgão que é o responsável pelas rodovias brasileiras.

Pagot pensou no Estado, Jaime em vingança. Pagot teve grandeza de alma e alto senso público, Jaime foi sórdido e pequeno de mais. Pagot agiu com serenidade e responsabilidade política, Jaime com mesquinharia e inconseqüência.

Trabalho com assessoria política desde 1988 e já atuei em 11 campanhas eleitorais no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, vencendo as últimas oito, já vi e vivi várias situações de arrepiar o cabelo, portanto sei muito bem que a política ainda é um jogo pesado, que exige estômago de avestruz e onde na maioria das vezes a ética é um persona no grata, portanto não deveria ficar indignado com a atitude de Jaime.

Mas fico por entender que a política tem que mudar, que tipos como Jaime Campos e suas atitudes indignas não servem mais para nos representar. O tempo deles acabou. Temos que construir um novo modelo político, onde a política seja um jogo que realmente contribua para o desenvolvimento do Brasil e para a melhoria da qualidade de vida de sua gente, e não para atender interesses escusos e enriquecer meia dúzia de espertos.

É por conta dos jaimes da vida que o meio político brasileiro virou uma fonte inesgotável de escândalos éticos e financeiros, que hoje o Senado da República perde mais tempo discutindo a conduta nada louvável de parte dos seus membros do que, efetivamente, cumprindo a sua missão constitucional.

Hoje, a única contribuição que os jaimes da vida poderiam dar para este país era saírem da vida pública, mas pela porta dos fundos. Mas sem em todo caso eles resistirem, o que é mais provável, em 2010 nós eleitores teremos a oportunidade de apertar essa descarga e nos livrarmos de um monte deles.


LEIA OUTROS ARTIGOS DO AUTOR:

Veja um pouco da saga do Zé Mané da Saúde
Nós somos independentes do que mesmo?
Eba! Vou criar uma igreja e ser pastor
Nossos ouvidos viraram penico
Márcio Cassiano tem projeto Tabajara
Nós pagamos o whisky e a gorjeta
A vitória da liberdade de expressão
A Ineficiência que produz dor
Sociedade não precisa de mais vereadores
Calçadas: mais um exemplo de falta de civilidade
Falta civilidade. Sobra omissão
A fúria cuiabana
E agora José?
Câmara de Vereadores de Cuiabá é a Amy Winehouse da política de Mato Grosso
Federação não tem moral para punir
Uma lacuna preenchida