MATO GROSSO, 08/02/2012 - 2:09

Vale

20/08/2009 | Sem Rodeios/Opinião

Nossos ouvidos viraram penico

Divulgação

Agnello de Mello e Silva*

Se o objetivo da Igreja Universal do Reino de Deus (via Rede Record) e da Rede Globo era transformar nossos ouvidos em penico, parabéns para elas, pois conseguiram! Nos últimos dias temos sido bombardeados pelos dejetos que uma divulga sobre a outra e vice versa. Esta guerra é o exemplo clássico do sujo falando do mal lavado.

A cada dia conhecemos um pouco mais do mundo podre em que estão situados os bastidores dos negócios dos impérios de Edir Macedo e da Família Marinho. E a cada dia me convenço mais de que um não tem moral para falar do outro.

A Universal do Reino de Deus, fundada em 1977, que conta com mais de 20 milhões de seguidores e está presente em todos os estados brasileiros e mais 170 países, vive da boa fé de seus fiéis, que com a promessa de uma melhor sorte material no futuro, fazem no presente doações generosas à igreja, com alguns vendendo, inclusive, o pouco que tem para dar aos pastores (carro, casa, papagaio, sogra, cachorro com sarna, etc).

Através de um aprimoradissimo processo de lavagem cerebral, a Universal vende a idéia de que Deus é um banco, onde você aplica o seu dinheiro e tem retorno com juros e correção monetária.
Quanto maior o dízimo (ou aplicação), maior o retorno. E aí do fiel que não “depositar” nada. Existem histórias retratadas pela imprensa de constrangimentos públicos e humilhações a quem ousou cometer tal “sacrilégio”.

Como resultado de tanto sacrifício dos fiéis, no período de março de 2001 a março de 2008 a igreja movimentou, só em transações bancárias, mais de R$ 8 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda. Foi com parte deste dinheiro que a Universal montou um poderoso grupo de comunicação, tendo a Rede Record como carro chefe.

Além disso, tem os investimentos em luxos e confortos para cúpula. Conforme várias reportagens publicadas na imprensa nacional, enquanto a maioria dos seus fiéis se locomove de bicicleta, bispos e dirigentes cortam os ares do Brasil e do mundo a bordo de jatinhos da Igreja.

Enquanto muito dos seus fiéis não tem sequer um teto próprio para morar, bispos e dirigentes se reúnem em uma nababesca propriedade localizada na bucólica Campos do Jordão (SP) para momentos de lazer e de trabalho.

Se toda a prosperidade material que a igreja prega como argumento para recolher o dizimo dos fiéis acontecesse na prática, com certeza o problema da concentração de renda no Brasil e no mundo estaria resolvido.

E mais: nós veríamos na frente dos magníficos templos da instituição somente carrões do último modelo e não bicicletas, motinhas financiadas pelo Panamericano e veículos com capô amarrado com arame.

Eu mesmo seria o primeiro a pagar o dizimo!

Quanto a Rede Globo, a mesma cresceu durante a ditadura militar. Foi um instrumento poderoso à disposição dos militares para criar conceitos, induzir opiniões, destruir a imagem de políticos de oposição e vender a idéia de um país próspero e sem problemas.

Por muitos e muitos anos a Rede Globo reinou sozinha. Cid Moreira e Sérgio Chapelin, via Jornal Nacional, eram os porta vozes das convenientes notícias que garantiam intactos os interesses globais.
A pauta do Jornal Nacional não privilegiava os acontecimentos de acordo com a sua importância jornalística, mas sim, conforme a sua conveniência aos interesses dos militares e, por conseguinte, os da própria Rede Globo.

Os anos de ouro acabaram. Hoje a situação mudou. A Rede Globo tem sua liderança ameaçada pela Rede Record e há muito que se fala das dificuldades financeiras vividas pelo conglomerado Globo. Denúncias de empréstimos facilitados junto ao BNDES já foram publicadas pela imprensa, bem como, outros favorecimentos.

Como se vê, neste enredo de novela mexicana, que bem poderia ser batizada de o Lamaçal, só não tem mocinhos.

                                            *Agnello de Mello e Silva é diretor Executivo do diaadianews