Vale
06/03/2009 | É igual!
Câmara de Vereadores de Cuiabá é a Amy Winehouse da política de Mato Grosso
Agnello de Mello e Silva*
Você acha que existe algo em comum entre a Câmara de Cuiabá e a cantora Amy Winehouse? Se você respondeu que sim, acertou. Ambas têm uma incrível capacidade de produzir escândalos. Por conta disso, pode-se afirmar que a Câmara de Cuiabá é Amy Winehouse da política do Mato Grosso.
Amy Winehouse é aquela cantora inglesa que não saí das manchetes dos jornais e tablóides europeus e americanos. Só que essa constante aparição da pop star não é pela sua produção musical, mas sim, pela sua incrível capacidade de produzir escândalos.
Chegada num álcool, a cantora vive sendo fotografada e filmada em degradante estado de embriaguez. Em outras vezes, aparece fumando um cigarrinho de maconha em público e, em outras, metida em agressões a fotógrafos e fãs.
Nos últimos anos, a Câmara de Vereadores Cuiabá também tem sido um fonte constante de manchete nos jornais e noticiário das tvs e rádios do Estado. Mas não pela sua produção enquanto Casa de Leis, mas sim pela incrível capacidade que parte dos seus integrantes tem para produzir escândalos, ora por conta de suspeitas de corrupção, ora por aventuras sexuais em vias públicas.
É verdade que o conjunto de vereadores não pode ser responsável por atos absurdos como os protagonizados pelo vereador Ralf Leite, que foi pego em flagrante praticando sexo oral com um travesti menor de idade, em via pública, ao custo de R$ 30,00. Os fatos em si já são um absurdo, praticados por uma autoridade, pior ainda.
Mas também é verdade que o conjunto de vereadores pode, deve e tem que ser responsabilizado quando adota uma postura corporativa e de proteção a um vereador que foi pego, em flagrante, em uma situação vexatória, que afronta a ética e a decência que se espera de um homem público, e envergonha a instituição e a população que representa.
Ao tomar conhecimento dos fatos, a Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá tinha que, de imediato, determinar o afastamento do vereador, enviar o caso para a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar e exigir apuração rigorosa e ágil. Se não o fizesse, como não fez, os demais vereadores deveriam, para preservarem a imagem da Casa e deles próprios, exigirem que se fizesse.
Mas nada disso aconteceu. Aliás, o que tinha acontecido, “desaconteceu”. A Mesa Diretora tinha decidido acatar o pedido de licença médica apresentado pelo vereador Ralf, que continuaria recebendo os salários. Depois, como diria um amigo, “desdecidiu”. Não por vontade própria, e sim por força da reação da opinião pública.
Mais uma vez a omissão se fez presente, como também se fez (e se faz) presente em relação às denuncias de corrupção da ex-presidente e hoje deputada Chica Nunes, como também não fez nada contra as denúncias de corrupção contra o ex-presidente Lutero Ponce.
Só recentemente a Mesa Diretora repassou o caso para a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. E com um detalhe: alongou o máximo possível todos os prazos. Como se diz que brasileiro tem memória curta, quanto mais tempo, melhor.
Em resumo: a Câmara de Cuiabá há muito tempo se deixou embebedar pelo protecionismo e corporativismo. Por conta disso virou uma fábrica de escândalos e perdeu o respeito e a credibilidade da população cuiabana e matogrossense. E nem precisa fazer pesquisa junto à opinião pública para se constatar isso.
Todos tinham esperança que o novo presidente, vereador Deucimar Silva, iria começar um processo de moralização no legislativo. Na primeira chance que teve, “pipocou”, se rendeu ao companheirismo, ao coleguismo, e tentou empurrar a sujeira para debaixo do tapete.
Mas como dessa vez a sociedade cuiabana mostrou que não vai deixar barato, Deucimar e a Mesa Diretora foram obrigados a deixarem de lado o corporativismo e agirem, mas pelo menos nesse caso, já ficaram desacreditados e tudo que eles fizerem em relação à Ralf Leite não será por méritos, mas sim, por força da opinião pública.
Com certeza, perderam uma grande chance de mostrarem na prática que a atual legislatura é diferente que a anterior. Tal qual a cantora Amy Hinehouse, não basta falar que vai mudar, tem que fazê-lo na prática.
* o autor ér diretor-executivo do diaadianews










