Vale
24/11/2009 | Agnello de Mello e Silva
Quantas Jhenyfer terão que morrer?
Agnello de Mello e Silva
Se a prefeitura e a população não se unirem de forma definitiva no combate ao mosquito aedes aegypti a funerária local pode ir preparando mais caixões, pois tragédia como a de pequena Jhenyfer Cabral Martins irá se repetir na cidade. A afirmação é excessivamente rude e fria? Pode ser, mas em um português claro e direto é justamente isso que irá acontecer.
No caso da dengue, a maior tarefa cabe justamente a população e basicamente ela consiste em não deixar água parada (seja ela limpa ou suja). Simples não? É, mas, infelizmente, as pessoas, ou melhor, uma parcela delas, não faz a sua parte.
Quem afirmar que 80% da culpa pela proliferação da dengue são do relaxo e da falta de zelo de parte das pessoas estará tão correto quanto à afirmação de que 2 + 2 é igual a 4.
Já a prefeitura compete orientar, ajudar e exigir que a população faça a sua parte. Ela tem, inclusive, um vasto repertório de instrumentos jurídicos e administrativos para isso.
Mas, lamentavelmente, uma parcela da população não está fazendo a sua parte e a prefeitura, infelizmente, age de forma paternal, cheia de dedos, para não melindrar este ou aquele, para não sofrer desgaste político. Resumindo: é frouxa!
Essa combinação de falta de consciência de parcela da população e ausência de atitude da administração municipal é a responsável por tragédias como a de Jhenyfer.
Se cumpríssemos os nossos deveres com o mesmo ardor que exigimos nossos direitos, a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Se tivéssemos um secretário de Saúde com pulso mais firme e mais determinado, as pessoas que não fazem a sua parte seriam punidas com multa e até interdição dos seus imóveis...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Tivéssemos um secretário de Saúde mais atuante, este já teria solicitado a assessoria jurídica da prefeitura que a mesma buscasse junto ao Fórum local uma ordem judicial para garantir a entrada dos agentes de saúde nos imóveis, com ou sem o consentimento dos proprietários...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Tivéssemos uma fiscalização urbana livre das pressões políticas, os porcos que jogam entulhos nas ruas, nas calçadas e terrenos baldios seriam identificados, advertidos e multados...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Tivéssemos uma Assessoria de Imprensa mais dinâmica e menos preguiçosa, uma ampla campanha de conscientização no rádio, tv, jornais, além de carros de som e panfletos, já estaria em curso...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Tivéssemos um prefeito mais firme, mais duro e menos receoso, os problemas acima já teriam sido resolvidos, se fosse o caso, até com a demissão daqueles que agem com lentidão digna dos ineficientes...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Tivéssemos uma Câmara Municipal menos comprometida com o AMEM, esta já teria exigido do secretário de Saúde e do prefeito uma postura diferente...
...e a pequena Jhenyfer continuaria no nosso meio, correndo, brincando, estudando, fazendo planos, sonhando.
Eu pergunto a nós, população, quantas Jhenyfer ainda terão que morrer para que nos conscientizemos de que a dengue mata e de que temos que fazer a nossa parte?
Eu pergunto ao prefeito, secretário, assessor e vereadores quantas Jhenyfer mais terão que morrer para que o poder público decida agir com o rigor necessário contra a parcela da população que teima em não fazer a sua parte?
Reafirmo aqui que a grande culpa pela proliferação da dengue é de parte da população, que parece que ainda não se conscientizou que a dengue mata.
Mas a prefeitura peca quando deixa de agir com a firmeza necessária para evitar o caos, quando ela deixa de punir a minoria para resguardar os direitos e garantir a integridade da maioria.
Vou dar dois exemplos de atitudes firmes que merecem elogios.
A primeira é do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que no sábado, dia 21, determinou a interdição do Shopping SP Market, local onde na sexta (20) houve um desabamento que deixou funcionários e clientes feridos.
A segunda é do governador Blairo Maggi, que no final da manhã de domingo, ao ser informado dos problemas que estavam ocorrendo no concurso público realizado pelo Estado, determinou o imediato cancelamento do evento, contrariando, inclusive, a posição de alguns assessores mais diretos.
Nos dois casos, os gestores chamaram para si a responsabilidade de decisões imprescindíveis para resguardar à sociedade de maiores danos ou prejuízos. Aqui também deveria ser assim.
Enquanto isso não ocorre, vamos pedir a Deus que nos proteja e que dê conforto a família de Jhenyfer, uma criança cheia de vida, de sonhos, uma pequena princesa que virou saudade graças à falta de consciência de uma parte da população e ausência de atitude da administração municipal.
Veja mais na coluna Sem Rodeios
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