sem-rodeios
26/03/2009 | Manú e José Júnior
Juventude sem rumo
Agnello de Mello e Silva
Heyd Manuela Rodrigues, 22 anos. Conhecida como Manú. José Alves da Silva Júnior, também 22 anos. Dois jovens, duas histórias que se uniram pelos destinos da vida e que foram separadas pela bestialidade humana. Ele matou ela.
Manú, que poderia estar no mundo dos vivos, fazendo as coisas que gostava, sonhando, planejando o futuro, hoje ocupa um terreno no cemitério.Viveu apenas e tão somente 22 anos. Não é nada se considerarmos que uma pessoa pode viver até os 70, 80.
José Júnior, jovem, de boa família, poderia estar por ai, vivendo plenamente a sua juventude, fazendo aquilo que gosta, sonhando e planejando o futuro. Mas aos 22 anos transformou-se em um assassino. Virou manchete de jornais e programas de tv e rádio.
A morte condenou a jovem Manú a ser apenas uma lembrança para amigos e parentes e o jovem José Júnior a ser sempre lembrado, por todos, como o assassino de Manú.
O desfecho da história dos dois jovens, que tinham um relacionamento amoroso marcado, segundo testemunhas, por brigas, é um retrato acabado de quão sem rumo está a nossa juventude.
Embriagados, e muitas vezes influenciados, pelo mundo digital, com pais cada vez mais ocupados, menos atenciosos às coisas do lar e excessivamente tolerantes (com exceções), os jovens atuais formam uma tribo cujo futuro desafia a nossa capacidade de projetar o amanhã.
A notícia do assassinato de Manú por José Júnior é, no cotidiano, apenas mais uma envolvendo jovens, que aparecem no noticiário promovendo trotes universitários violentos, participando de rachas, em baladas consumindo ecstasy ou em imagens gravadas em celulares fazendo sexo grupal, dentre outras.
Hoje, todo jovem de classe média tem um carro ou uma moto, ou até os dois, na garagem. Muitas vezes não tem nem 18 anos, mas os pais já deram o veículo. Consciente ou inconscientemente, é um incentivo a transgressão e apenas um pequeno exemplo de como as coisas acontecem hoje em dia.
É raro o pai que pergunta ao filho onde ele foi e com quem ele esteve. Mais raro ainda é o pai que vai ao quarto do filho dar uma olhada para ver como andam as coisas. E quando isso acontece, o filho reclama e o pai, invariavelmente, ainda se sente culpado por estar “pegando no pé”.
Está passando da hora da sociedade rever o seu conceito sobre a “moderna forma” de se educar filhos. Filhos que aprontam com carros, que andam armados, que desafiam a autoridade, enfim: que transformaram o seu direito à liberdade e a diversão em um verdadeiro salvo conduto para toda e qualquer transgressão.
É muito melhor a um pai carregar a culpa da severidade do que visitar um filho na cadeia ou deixar flores em um túmulo.
Os fatos não podem ser encarados apenas como mais uma notícia em nosso cotidiano, mas principalmente como exemplos capazes de fazer com que percebamos o que de fato está acontecendo ao nosso redor, sob pena de carregarmos culpas das quais não vamos conseguir nos libertar.










