POLÍCIA - 23/03/2012 08:20

Crime brutal

Marido que matou queimada mulher grávida pega 16 anos

Promotor Gadelha, do MPE, recorreu; Justiça condenou o assassino da própria mulher -Foto (Midia News)

Midia News

 

Quatro anos após ser absolvido do assassinato da esposa, o motorista Joselino Gomes de Souza, de 49 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá a 16 anos e seis meses de prisão.

Em julgamento ocorrido os jurados entenderam que as provas técnicas confirmaram que Joselino matou a esposa Marizeth Sales de Assis, então, com 32 anos e grávida de quatro meses, ateando fogo nela após jogar álcool. O crime ocorreu no dia 15 de agosto de 1999 no Jardim Itapajé, em Cuiabá

Segundo o promotor de Justiça criminal João Augusto Veras Gadelha, o laudo de necropsia e de local confirmaram que Joselino ateou fogo na mala de roupas da esposa, que tinha decidido se separar dele e, em seguida, a carbonizou jogando álcool nela. Com a alegação de que ela tinha praticado o suicídio, em 2008 ele foi absolvido, mas o MPE recorreu e ele foi julgado novamente.

Familiares de Marizeth que acompanharam o julgamento ficaram satisfeitos, pois ao menos deixaram o Tribunal do Júri com a sensação de que o crime não ficou impune. “Os jurados fizeram Justiça”, observou o promotor.

De acordo com investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o casal namorou durante três meses e conviveu durante outros sete. Em agosto de 1999 decidiram se mudar para o Jardim Itapajé, apesar de Marizeth estar sempre ameaçada pelo marido que sempre se embriagava o que motivava discussões entre os dois.

No sábado, um dia antes do crime, o casal fez um churrasquinho e Joselino ficou com ciúmes de um futuro vizinho que participou da festa de boas-vindas e o casal discutiu. Ele a espancou e, revoltada, Marizeth decidiu se separar dele. Ligou para a mãe que ficou de pagar o taxi.

No domingo, já de malas prontas para ir embora, aconteceu o crime. Com queimaduras de terceiro grau, ela chegou a ser socorrida, mas morreu no Pronto-Socorro de Cuiabá. Na ocasião, Joselino alegou que a esposa tentou se matar. Os laudos, no entanto, desmentiram essa versão, uma vez que o crime não teve testemunhas.

Mulher estava no banheiro

O laudo feito no local confirmou que o foco principal do fogo ocorreu no banheiro da casa. Pela perícia, ela estava sentada no vaso sanitário quando foi atingida pelo fogo. Marizeth sofreu ferimentos na cabeça, tronco e braços e pés, confirmando que estava sentada.

Como não conseguiu desmentir o laudo, Joselino mudou a versão alegando que a mulher tentou o suicídio e ele tentou apagar o fogo abraçando-a. “Só que ele tinha queimadura nas mãos e nos pés, por causa do fogo que caiu no banheiro”, frisou o promotor.

Os peritos confirmaram que o fogo na mala de roupas começou primeiro, indicando que a queimadura ocorreu na sequencia. “As provas técnicas apresentadas aos jurados confirmaram que o marido foi o autor do homicídio”, destacou o representante do Ministério Público.

Para confirmar que não se tratou de suicídio, a irmã de Marizeth encontrou uma carta dela na bolsa, escrita antes da morte relatando que o marido era violento e pretendia se separar dele.
Como se trata de réu solto, Joselino deverá aguardar recurso em liberdade. O promotor João Gadelha lembrou que a sentença não poderá ser reformada e mesmo que a defesa entre com mais recurso, dificilmente deverá diminuir a pena, uma vez que a vítima estava grávida de quatro meses.

Como se trata de um crime antigo, o motorista deverá cumprir um sexto da pena – pouco menos de três anos – para ganhar a liberdade condicional. 


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