Velozes e Perigosos | Publicada dia 09/03/2010
Operação Maranello pode ser anulada pela Justiça
Bruno Garcia / Antonielle Costa
MidiaNews
A Operação Maranello, que desarticulou uma rede de tráfico de droga e lavagem de dinheiro no Estado de Mato Grosso, a partir de Cuiabá, pode tomar o mesmo caminho de outra operação realizada pela Polícia Federal, a Pacenas: ser anulada.
Como se recorda, essa última ação da PF foi anulada por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), em novembro de 2009, caindo por terra todo trabalho de investigação sobre um suposto esquema de fraudes no processo de licitação das obras do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC), em Cuiabá e Várzea Grande.
A ação foi anulada depois que o advogado José Antonio Rosa, então secretário-chefe da Procuradoria Geral do Município de Cuiabá, acusado de ser um dos cabeças da suposta fraude - chegou a passar oito dias na cadeia -, entrou com uma ação no TRF. Ele pedia a anulação dos "grampos" feitos pela PF e que seriam as principais provas da ação da quadrilha.
No caso da Operação Maranello, a PF já concluiu o inquérito, encaminhou ao MPF, que ofereceu denúncia à Justiça Federal. Apesar disso, existe uma ação proposta pelo advogado Eduardo Mahon (ele revelou, especificamente, que é seu cliente), junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília. Ele solicitou a anulação do processo. O pedido aguarda uma decisão do TRF, que deve sair nos próximos dias.
Na última semana, a família Zangarini - Alexandre Zangarini e os filhos Moacir Francisco de Paula Zangarini e Michelly Regina de Paula Zangarini - obteve uma vitória na Justiça, ao conquistar o direito de ficar como depositário dos veículos apreendido durante a Operação Maranello.
A decisão foi dada pela juíza Vanessa Curti Perenha Gasques, em substituição ao juiz da 2ª Vara Federal, Jeferson Schneider. Zangarini foi denunciado pelo MPF, como principal financiador da compra dos 383 quilos de cocaína, apreendidos em junho do ano passado, pela Polícia Civil.
A apreensão dessa droga deu início aos trabalhos da PF, que culminaram na deflagração da Maranello em setembro do ano passado.
Dentre os veículos estão: Nissan Frontier (placa NJI-3333), BMW X3 (placa FQK-7474), Ferrari F 430 (placa MSQ-5266), Corvette C06 (placa MFJ-2926), Porsche Boxter S (placa LSN-2450), BMW 3201 VA71 (placa FYV-7474), Mercedes Benz SLK 200K (placa NIY-3431) e três motos, sendo duas Kawazaki modelo ZX10R (placa ZYS-1141) e ZX 14 (DUY-1400), e uma Harley Davidson (placa MQX-2166).
Esquema
Segundo a Polícia Federal revelou na época,o esquema era comandado pelo advogado Edésio Ribeiro Neto, o "Binho", principal membro da organização. Ele arregimentava financiadores, administrava e distribuía a cocaína vinda da Bolívia.
Os demais integrantes eram responsáveis por tarefas como a negociação direta com os traficantes, a reunião do dinheiro para pagamento do carregamento de drogas, o transporte dos carros recebidos como pagamento das drogas e emprestando o nome para a abertura de empresas que movimentavam o dinheiro do tráfico.
Ainda conforme a PF, o dinheiro do tráfico de entorpecentes era dividido e depositado em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas. A partir daí, eram feitas diversas movimentações financeiras em nome de terceiros, com objetivo de disfarçar a origem ilícita do dinheiro. Calcula-se que as transações identificadas ultrapassaram o montante de R$ 3 milhões.
As empresas utilizadas para a lavagem de dinheiro estavam em nome de membros da organização criminosa, de seus familiares e de terceiros, tanto empresas "de fachada" quanto empresas ativas que estavam situadas em três estados atuando em diferentes ramos como factorings, empresas de cobranças.
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