MATO GROSSO, 10/02/2012 - 1:30

ARTIGOS

14/10/2009

Pronto Socorro Estadual, uma necessidade urgente

Deputado Guilherme Maluf

*Guilherme Maluf

Maior hospital da rede pública de saúde de Mato Grosso, o Hospital de Pronto Socorro Municipal de Cuiabá é referência para os atendimentos de urgência e emergência no Estado. Contudo, a estrutura deficitária para retaguarda dos atendimentos de baixa e média complexidade, falta de unidades especializadas no atendimento ao idoso e a eterna prática da chamada ‘‘ambulancioterapia’’ são alguns dos fatores responsáveis pela sobrecarga do hospital
A ocupação dos corredores por pacientes em macas, por falta de leitos para interná-los adequadamente e a longa fila de espera para cirurgias eletivas são alguns dos problemas ainda não debelados são fatos amplamente divulgados pela imprensa e combatidos pelo Ministério Público. A questão da saúde publica não pode ser tratada de forma pontual. É importante e, mais que isso, imprescindível, a implantação de um processo de regionalização das ações de saúde.
A construção e o fortalecimento de pelo menos uma unidade regional de saúde (Pronto Socorro Estadual) é uma forma de garantir o acesso dos cidadãos aos serviços de saúde, uma vez que o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, que será fechado nos próximos dias para uma reforma que vai durar pelo menos seis meses, não consegue resolver os problemas do atendimento emergencial na capital com as atuais instalações e, muito menos, receber um volume tão alto de pacientes vindos do interior de Mato Grosso e dos Estados da região Norte do Brasil, como acontece atualmente.
O Hospital de Pronto Socorro de Cuiabá é atualmente a única referência de milhares e milhares de pacientes que vêm de todas as partes do Estado, e de fora, em busca de atendimento emergencial. A pouca capacidade de investimento do município e a ausência financeira do governo estadual na melhoria dos serviços e da qualidade de trabalho dos profissionais que ali dedicam parte de suas vidas, transformam aquela unidade de saúde em um mero depósito de pacientes, aonde alguns chegam a passar mais de 24 horas sem receber o atendimento médico conveniente, colocando em risco sua recuperação física e até a própria vida, de pendendo da gravidade do quadro clínico desses pacientes.
É preciso enfrentar os desafios de proporcionar melhores condições de saúde para a população de forma descentralizada e articulada. Desse modo, para se resolver o atendimento de emergência em Cuiabá é preciso não só ampliar a capacidade operacional do Pronto Socorro Municipal, mas, também, criar e implantar o Pronto Socorro Estadual que, além de prestar os mesmos serviços servirá como um hospital de retaguarda para a realização das transferências dos casos de urgência e emergência devidamente atendidos e estabilizados no Pronto Socorro de Cuiabá. Esse Pronto Socorro Estadual também servirá par atender aos pacientes que estejam necessitando de assistência em outras especialidades médicas.
A falta de sintonia entre as secretarias municipal de estadual de Saúde tem levado prejuízos enormes à população de menor poder aquisitivo e que necessita do atendimento do Pronto Socorro. No meio do fogo cruzado entre as duas pastas, os pacientes perecem, deixam de ser atendidos, são obrigados a procurar outros recursos diante da demora e da falta de capacidade de atendimento daquela unidade. Sem contar que o Hospital do Cristo Rei, em Várzea Grande, que está em fase final de construção, assim como o Hospital Júlio Muller, que será construído na rodovia que demanda a Santo Antonio do Leverger, não tem perfil de urgência e emergência, nem funcional e nem fisicamente e isso só reforça a necessidade de termos, o quanto antes, um Hospital de Pronto Socorro Estadual (HPSE).
O governo do Estado comprou algumas unidades hospitalares que estavam fechadas em Cuiabá com a promessa de transformá-las em Centros de Saúde ou hospitais regionais, porém, isso nunca saiu do papel. O mandato do atual governo está praticamente terminando e até agora não há uma única ação de relevância no setor da saúde pública. O Estado alega que, por causa da descentralização do setor, pouco ou nada pode fazer, uma vez que a autonomia é toda do município, ficando o governo, impedido legalmente de desenvolver algumas ações.
Ora, antes de tudo é preciso entender que são vidas que estão em jogo e, na maioria das vezes, não há tempo hábil para aguardar a intensa burocracia administrativa ou até mesmo a má vontade velada daqueles que não querem encarar os problemas de frente e tomar decisões que, se não renderem dividendos políticos como alguns esperam, garantem o direito à vida de milhares de pessoas e ameniza o sofrimento de outros tantos. Por isso, encaminhei expediente ao governador Blairo Maggi e ao secretário estadual de Saúde, Augustinho Moro, apontando a necessidade da construção do Hospital Pronto Socorro Estadual (HPSE).
É preciso que o governo do Estado entenda a situação de fragilidade e carência na capacidade de atendimento do atual e único Hospital de Pronto Socorro Municipal de Cuiabá e assuma a responsabilidade da construção de outra unidade hospitalar de serviços de urgência e emergência na capital mato-grossense, que é uma das poucas capitais brasileiras que não tem um Hospital de Pronto Socorro sob gestão do governo estadual. É uma obra de grande alcance social e de real importância para amenizar os problemas relacionados à saúde pública da nossa cidade.


*Guilherme Maluf é deputado estadual pelo PSDB

Guilherme Maluf é deputado estadual pelo PSDB