06/10/2009

Roberto Pires

Nem sempre o exercício emagrece

Professor de Educação Física (CREF- 000383-G/MT) e proprietário da academia Oficina do Corpo. E-mail: oficinadocorpo.1989@hotmail.com

Muitas vezes converso com meus alunos na academia explicando que para emagrecer é preciso uma conjunção de dois fatores, dieta balanceada e exercícios físicos. Também explico que os exercícios físicos têm um papel de melhorar seu metabolismo, mas só é responsável por 30% no emagrecimento, os outros 70% são de uma alimentação balanceada. Muitas pessoas tendem a compensar a perda de calorias alimentando exageradamente após os exercícios. Aqueles que recorrem a estes mecanismos compensatórios são mais inclinados acionar o sistema cerebral associado à compensação. Trata-se de uma estrutura que, quando ativada, libera substancias envolvida com a sensação de prazer, como a dopamina. Em geral, esse sistema entra em ação quando nos deparamos ou executamos ações potencialmente “compensadoras”, como comprar algo que se deseja. No caso do exercício, é como se a pessoa atendesse uma espécie de canto da sereia, fazendo o seguinte raciocínio: passei uma hora suando meu top e minha bermuda, portanto, mereço me presentear com um sanduíche ou um bombom. E La vai atrás de sua recompensa. Reabastece-se de gostosuras e manda para o espaço todo o esforço feito de duas horas malhando. Além dessa situação, quem come demais pode ter a tendência a um comportamento alimentar compulsivo.

A dificuldade de perder peso quando se faz exercícios, pode estar relacionado a outros fatores. Um deles é a intensidade da atividade que se pratica. Fazer exercícios extenuantes não é uma boa idéia, especialmente para iniciantes. Por que a metabolização do açúcar produz ácido lático, que causa dores e limita o movimento. Desta forma o gasto calórico pode não ser o esperado. O certo é fazermos exercícios de acordo com a freqüência cardíaca ideal e gastar energia sem ficar fadigado demais no outro dia. A falta de regularidade também é outro fator que atrapalha o projeto de emagrecimento. É preciso ter uma rotina e adequar seu treinamento a sua vida diária.

Para que de resultados é preciso que o praticante goste de fazer exercícios e da atividade escolhida. A ciência sustenta que isso é mais que um esforço psicológico, se você se obriga a fazer algo que não gosta, seu poder de autocontrole fica enfraquecido.

De forma geral para que seu empenho de resultado procure fazer seis refeições diárias, o fracionamento previne a vontade súbita de comer e fornece energia suficiente ao corpo de forma contínua. Faça pequenas restrições calóricas nestas refeições. É melhor do que reduzir drasticamente a ingestão calórica diária em uma refeição só. Não caia na armadilha de compensação. Acreditar que pode se esbaldar no restaurante só por que andou uma hora na esteira, por exemplo, é um engano. Coma menos gordura. Esse nutriente tem duas vezes mais calorias do que carboidratos e proteínas. Questione-se se está com fome mesmo ou desejo. Se você tiver necessidade de comer pouco tempo após a refeição é desejo. Comer apenas um pão Frances é o suficiente para repor o estoque de energia do corpo, caso você sinta fome depois da musculação, mas é só um.

Para que atividade seja realmente aeróbica e queime calorias, deve-se ficar na freqüência cardíaca ideal. Para descobrir subtraia sua idade de 220. O resultado é sua freqüência cardíaca máxima (quantidade de vezes que seu coração bate por minuto quando o corpo está submetido a esforço). Para iniciantes, recomenda-se uma atividade aeróbica que alcance 60 a 70 por cento desse índice. Os mais treinados podem atingir de 70 a 80 por cento. Consulte um nutricionista, pois é a pessoa indicada para elaborar uma dieta para você. Peça para seu professor fazer uma avaliação da composição corporal, conhecer quanto de gordura o corpo tem é vital para criar um programa adequado ao seu metabolismo. Alterne exercícios aeróbicos com musculação, na mesma aula como forma de aumentar a freqüência cardíaca por tempos pré determinados. Isto aumenta o gasto calórico. Pratique musculação em dias alternados, ela mantém seu metabolismo mais acelerado. Mude constantemente as modalidades aeróbicas. Isso promove ações musculares diferentes, obrigando o corpo a fazer novas adaptações e o que leva a gastar mais calorias.

A lição que se pode tirar com base nos estudos sobre peso e exercício é que, sim, ele é um aliado, desde que realizado na medida certa. E que o caminho mais curto para evitar frustrações e atingir a meta é unir a resolução de manter uma atividade física com o controle da alimentação. Eis ai uma parceria de sucesso.





Roberto Pires



Academia oficina Do Corpo


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