25/01/2012

Adamastor Martins de Oliveira

A magistratura e as bolhas de sabão

Adamastor Martins de Oliveira Cidadão de Mato Grosso e-mail: adamastorm@yahoo.com.br

Quero aproveitar um dos meus antigos rabiscos para lembrar aos senhores magistrados brasileiros o quão importante é transparência no árduo oficio da judicatura, pois todos nós somos, assim, um pouco, como bolhas de sabão, pois tanto elas como nós, nos tornamos mais belos, quanto mais iluminados estamos.
A luz nos enche de possibilidades, pois na escuridão nos tornamos inócuos, obscuros.
Nós, assim como as bolhas de sabão, nascemos para encantar, livres ao vento, às vezes, nos encontramos e naturalmente, ao sabor da casualidade que rege a vida, nesse encontro, nos unimos, nos misturamos, quase formamos um só.
Nessa mistura, trocamos fluidos harmoniosamente, mas sem nunca perder a individualidade, como caleidoscópios que ampliam suas possibilidades quanto mais iluminados se encontram.
Assim, nessa troca, também nos reproduzimos e nos perpetuamos, pois a nossa vida é efêmera, como também é efêmera a vida das bolhas de sabão, mas é nessa efemeridade que se encontra toda a graça e grandeza da vida.
Aproveitemo-la recebendo e refletindo luz, como fazem as bolhas de sabão.
E as mais belas bolhas de sabão são àquelas mais transparentes, mais límpidas, são àquelas em que conseguimos nos ver e ver através delas.
São àquelas que voam mais alto e quando desaparecem, em um sopro, se transformam em muitas outras, menores, até retornarem trazendo novas esperanças em pingos de chuva, em um novo ciclo de vida, ficando na nossa lembrança apenas suas lindas luzes refletidas como fogos de artifício.
E a bolha é uma composição perfeita de ar, água, sabão e luz e que dá à ela, além da leveza, elasticidade e flexibilidade necessárias à sua existência, a translucidez visível e a higidez necessárias que gostaríamos de ver em nossos magistrados brasileiros.
Isso só para lembrar à nossa magistratura que o sigilo deve ser usado na exceção das exceções, a vista dos autos ao público deve ser franqueada sem subterfúgios, as decisões devem ser realmente públicas e publicadas em toda magnitude do significado dessas duas palavras e, por fim e por mais importante.
Àqueles magistrados que se consideram como bolhas de sabão que se comportem como tal, sejam visíveis, não se omitindo diante dos descalabros que estamos assistindo nos nossos Tribunais, como o ar, subam aos píncaros da transparência e denunciem, demonstrem a sua higidez e intolerância com a sujeira, como fazem o sabão a luz, sejam límpidos e puros como a água.
Lembremos todos nós e mais ao alto, que o sopro sôfrego do moleque ao produzir as bolhas de sabão é reprodução de um outro sopro dado no início de tudo e que também, tenho certeza, tinha o mesmo objetivo da criança que sopra hoje. Felicidade, pura e simples.


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