26/11/2011
Luiz Carlos Amorim
Cultura
Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc. O autor assina, também, o Blog CRONICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com
Transcorreu,em 5 de novembro, o Dia da Cultura. Um dia difícil de comemorar, já que temos um Ministério da Cultura que não consegue aplicar com sucesso uma prova como o Enem, prefere abordar as histórias em quadrinhos, nessa mesma prova, ao invés da literatura brasileira, comprou milhares de um livro, para distribuir às escolas públicas, que sugere que esqueçamos as boas regras gramaticais para ler e escrever, há pouco tempo, e assim por diante.
Como comemorar o Dia da Cultura, num país onde temos poucas livrarias, poucas bibliotecas, onde o preço do livro é um tanto quanto alto? Onde o conteúdo programático das escolas públicas não privilegia espaço para a literatura, para que se incentive o gosto pela leitura? Pelo contrário, como há muito pouco espaço para a literatura, os professores exigem a leitura de um ou outro clássico com a condição da nota, o que faz com os leitores em formação acabem criando aversão pelos livros.
Difícil comemorar esse dia, quando nossos governantes dão pouca atenção e pouco apoio à cultura em todos os níveis. Editais de cultura vão ficando cada vez mais raros, eventos de cultura popular não tem espaço para acontecerem – na capital catarinense o maior teatro do estado está fechado há dois anos, sem que nada tenha sido feito nele – e o ensino público está falido, com professores mal pagos, escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos.
Sei que parece muito pessimismo, mas a realidade é essa. A cultura é muito pouco assistida tanto pelo Estado, como pela União, como pelos municípios, em alguns casos.
Espero que esse quadro mude e que possamos comemorar essa data, num futuro próximo, com o começo do resgate da cultura. Que não aconteça mais, como aconteceu nos últimos dois anos, por exemplo, repasse de verba da Secretaria de Estado da Cultura para evento de moda privado, em Florianópolis. E que se apure responsabilidades de coisa tão descabida usando o dinheiro público, que poderia ser aplicado em eventos de cultura para o povo.

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