13/10/2011

Emerson de Arruda

Eternamente jovem. A vida em processos

Emerson de Arruda é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaciara, teólogo, psicopedagogo clínico e institucional, professor de Filosofia da Educação, graduando em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano e mestrando em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso/ Campus de Rondonópolis.

As transformações fazem parte da vida humana e como seres inacabados podemos experimentar a possibilidade de construir novas leituras do universo que nos circunda. Esse estado permanente de incompletude é um dos elementos essenciais no desenvolvimento da história humana. Entretanto, além destes fatores positivos existem tipos de comportamentos, que exigem uma análise mais crítica da sociedade contemporânea.

Nas últimas décadas muitos adultos têm evidenciado uma obsessão pelo sentimento da juventude. Homens e mulheres que estão vivendo sob prisma da jovialidade eterna e nesse sentido, lutam a custa de qualquer preço para conquistar corpos dotados de beleza, agilidade, sensualidade a fim de serem desejados. Na busca desta perfeição estética fazem o uso de dietas perigosas e de correções realizadas pelos diversos cirurgiões plásticos.

Fernando Savater filósofo espanhol entende que a sede desenfreada pela juventude também criou a vontade incansável pelo festivo e uma espontaneidade artificial, que se traduzem nos gestos e posturas de adultos, que deveriam compreender o valor da vida construída a partir de processos históricos, e não apenas viver a luz de uma cultura que supervaloriza o presente, a juventude e a perfeição estética. Nessa concepção, perder a juventude para algumas pessoas se constitui como uma doença que precisa ser extirpada a luz dos retoques que as mãos humanas conseguem fazer durante um tempo nas clínicas especializadas.

Por incrível que pareça esse sentimento tem modificado não apenas a imagem das pessoas, mas a forma com que elas encaram o próprio envelhecimento. Para determinados indivíduos a velhice é o pior estágio da vida humana, de modo que ser velho e parecer velho é limitar-se a solidão, a improdutividade e a tristeza de não ser desejado pelo outro.

Na cultura do desejo é necessário ter o corpo belo e a pele viçosa, o que geralmente não acontece quando as rugas e a esclerose aparecem evidenciando as cicatrizes do tempo.

Essa realidade ainda é mais preocupante, quando uma grande parcela de adultosque deveria ler o mundo a partir da conquista da maturidade etária, evidencia, e que me desculpem as crianças, uma espécie de comportamento infantilizado, brigando e fazendo birra pelos brinquedos nas sacadas de suas casas. Não estamos de maneira nenhuma condenando a vivacidade juvenil que é um dos elementos importantes na vida humana. Todavia, é salutar que os adultos estejam compreendendo que a vida se desenrola a partir das idades da vida, e de que nessa caminhada é necessário resgatar o valor do amadurecimento.

Tanto na fase adulta quanto na velhice é possível vislumbrar na pele que não é mais tão viçosa, no peso que excede, e em outros limites que o tempo nos traz, a presença de uma história marcada por tristezas, medos, conquistas e realizações.

O desafio de cada pessoa é o de compreender que no horizonte complexo da vida, não seremos sob a esfera biológica eternamente jovens, mas, existencialmente, poderemos colher o entusiasmo nas vivências do passado e nas experiências reais que se constituem no presente.

É preciso aprender a viver sob a esfera pedagógica do tempo, e não lutar jamais contra o processo natural da vida, lembrando sempre, das últimas linhas da poesia hebraica que afirmam:“... na velhice as pessoas darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor...” Sl 92.14. Enfim, precisamos viver admirando, a singularidade histórica de um dia após o outro.


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