13/09/2011

Leopoldo Mendonça

Quem matou o juiz Leopoldino e a juíza Patícia?

Leopoldo Mendonça é economista e professor universitário

O assassinato da Juíza Patrícia Acioli, em Niterói (RJ) no último dia 11 de agosto, me fez lembrar um fato que publico pela primeira vez na minha vida.
Era dia 30 de agosto de 99. Fui convidado pelo amigo e conselheiro do CRC na Jucemat e professor da UFMT, Odenildo de Sá Teles, para comemorarmos seu aniversário na Peixaria Popular, em Cuiabá. Ao chegar ao recinto, o aniversariante me apresentou para um amigo seu, que eu já o conhecia muito através da imprensa do Estado. Um senhor moreno, cabelos pretos e lisos. Um índio poconeano. Tratava-se do Juiz Leopoldino Marques do Amaral, desaparecido quatro dias depois desta noite e encontrado morto em Concepcion no Paraguai. Provavelmente tenha sido aquela, a última confraternização que o juiz participou.
Sentei ao lado do Juiz e conversamos a noite inteira. Quando disse que já o conhecia, ele também me disse o mesmo. Gravei o seu nome e queria lhe conhecer, pois o meu filho também se chama Leopoldo. Disse o Juiz.
Pediu-me que lhe chamasse apenas de Leopoldino, sem o doutor que eu insistia em dizer. Contou-me tudo. Sua vida de estudante. Seus tantos casamentos. Sua carreira. Sua carta a CPI do judiciário, onde denunciava desembargadores por nepotismo, desvio de recursos, fraude em concurso, venda de sentenças e outras coisas. Falou que estava sendo vítima de armação. Que queriam envolvê-lo em “coisas erradas” e falou sobre as ameaças que estava sofrendo. Neste momento sua esposa, Rosemary, intervém e fala sobre o destemor do Juiz. Pessoas estavam lhe seguindo e rondando sua casa.
Leopoldino me conta que estava buscando mais informações e que iria ao exterior documentar o que sabia de novo. Fatos mais graves ainda. Expressou então: em breve outra bomba vai explodir na imprensa nacional!
Uma semana depois, no feriado de 07 de setembro, ligo o rádio e ouço a notícia bombástica. Foi encontrado em Concepcion, no Paraguai um corpo carbonizado que parece ser do Juiz Leopoldino. Sua identidade estava inteira ao lado do corpo. A bomba na imprensa nacional foi a bomba da sua morte.
Diversas versões foram divulgadas. Até o absurdo de dizer que ele havia fugido porque tinha problemas com desvio de recursos e forjou a própria morte. Estaria ele vivendo muito bem em outro país.
A imagem que Leopoldino me passou foi a imagem de um homem sério, honrado, culto, simples e defensor da lei. Quero muito ver o fim deste caso, ocorrido há exatos 12 anos, para saber se me enganei tanto com aquele “Bugrão”. Tenho a impressão que ele e juíza Patrícia foram assassinados a mando de “quadrilhas” infiltradas no poder público que “mancham” as instituições brasileiras.
A morte de um juiz é uma coisa gravíssima. É uma forma de amedrontar o aplicador da lei. É a destruição do estado de direito.
Como cidadãos, devemos EXIGIR a apuração de todos esses crimes. Só assim, teremos condições de recorrer à justiça quando dela precisarmos.


Comentários

  • Sergio escreve:

    Quero parabenizar nosso diaadianews, mas por favor desde cedo vi e li a materia quem matou juiz Leopoldino e a juiza Paticia, leem primeiro o texto para depois divulgar a materia e corrijam erros, lamentavel juiza Paticia a senhora nao merece tal erro ..... e a nppsa noticia do nosso amado vale que vai informar o mundo virtual.

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