20/08/2011
Patrícia Casali
Quem pode gasta, quem não pode: paga
Patrícia Casali é jornalista em Rondonópolis e professora de Jornalismo na FACER.
Quem discordava do fator previdenciário levou um susto na semana passada com o que o governo definiu como a fórmula ideal para sanar o problema da previdência no Brasil, ou seja, trocando em miudos, o que era ruim para o trabalhador por ficar ainda pior. Depois da dita fórmula do fator, que corrói boa parte da aposentadoria do contribuinte, o fato novo é a exploração por mais tempo: se for aprovada a fórmula mágica teremos que trabalhar muito mais e ganhar sabe-se lá o quê.
A proposta que está sendo discutida no Planalto, noticiada pela colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo, é que as mulheres e homens terão que trabalhar sete anos a mais para se aposentarem. O período mínimo de contribuição para mulheres será de 37 anos, não mais de 30, como é agora; e para os homens o tempo contado passará de 35 para 42.
Outra opção cogitada é a conta dos 85/95, ou seja, a soma do tempo de contribuição mais a idade do contribuinte deve somar 85 para mulheres e 95 para os homens. Explicando: para as mulheres 50 anos de idade mais 35 de contribuição; e para os homens 60 anos, mais 35 de contribuição. Os números podem variar mas o resultado, não.
O que causa dúvidas é como os executivos, assessores, e sei mais lá o quê do Palácio do Planalto são bons na matemática de se criar leis e fórmulas para de extorquir o povo brasileiro, mas não são capazes sequer de enxergar o que acontece em volta deles. São tantos os escândalos envolvendo desvios de dinheiro público (nosso dinheiro) que não vou citar, pois tenho certeza que deixarei de abordar algum, porque são muitos e o espaço é pequeno.
Por que tanta sede do governo em colocar o trabalhador para pagar a conta? Só ouço noticiários de desvios, mas até hoje não ouvi falar de uma fórmula mágica de impedir a corrupção.
Considero que não seja o caso de se abrir ainda mais as torneiras que levam dinheiro ao poder, mas já passou da hora de se achar um bom encanador para fechar o ralo da corrupção.
Quem de nós, trabalhadores, conseguimos, por maior que seja nossos esforços, duplicar nossa renda em um ano? O que vemos são pessoas ligadas ao Governo Federal, esbanjando dinheiro, morando em mansões, andando de carros de luxo, usufruindo de noitadas, enquanto a conta final é paga por nós, os trabalhadores. E ainda temos que assistir a presidenta pedindo para os políticos colaborarem para que a faxina da corrupção possa ser feita. É demais. Dá vergonha. E para todos os efeitos somos um país democrático... aquele da igualdade. Aqui, o gigante dorme em berço esplêndido e quem trabalha, paga a conta.

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