19/04/2011
Agnello de Mello e Silva
Simplicidade ímpar. Inutilidade idem.
Agnello de Mello e Silva é diretor do diaadianews e consultor em marketing político
Simplicidade ímpar. Inutilidade idem.
Agnello de Mello e Silva
A tragédia que vitimou 12 crianças em uma escola pública em Realengo, no Rio de Janeiro, ressuscitou o debate sobre o desarmamento. Na opinião dos defensores de tal medida, se a venda de armas no Brasil fosse proibida, tragédias como a protagonizada por Wellington Menezes de Oliveira poderia não ter acontecido.
Esta é uma idéia de simplicidade impar e inutilidade idem e revela, mais uma vez, a mania que as autoridades e a classe política brasileira têm de lançar mão de medidas extremas e de forte impacto popular para tentarem resolver aquilo que poderia ser solucionado com políticas públicas eficientes e eficazes.
Quer um outro exemplo menos dolorido? A extinção da antiga Superintendência da Amazonas (Sudam). Ao invés de mandar apurar e punir os culpados pelo mar de corrupção que virou o órgão, o governo preferiu simplesmente acabar com o mesmo. Eliminou-se o meio quando o correto seria combater a prática danosa.
Imaginar que proibir a venda de armas irá contribuir significativamente para a redução da violência no Brasil beira a utopia. Primeiro porque boa parte desta violência está relacionada ao tráfico de drogas e só se consegue eliminar a consequência combatendo a causa.
No mundo das drogas, onde nada é licito, a arma é o instrumento letal que garante a ordem, a hierarquia e pune o calote. Alguém imagina um traficante se dirigindo a uma loja para comprar uma arma legalizada? Com certeza ninguém.
As armas que os bandidos usam são “importadas” e chegam ao Brasil pelas fronteiras que as Forças Armadas deveriam fiscalizar e, pelo que se vê, não o faz. Aparar grama de casa de oficial ou montar guarda na residência de general é muito mais importante do que patrulhar nossas escancaradas fronteiras
Em um ou outro caso, verdade seja dita, a polícia encontra nas mãos de bandidos armas legais que foram furtadas ou roubadas de casas de cidadãos de bem, mas é fantasioso supor que todo o arsenal que está em poder da bandidagem tenha a mesma origem. E só uma pequena (e bem pequena) parte.
Não há dúvidas de que o comércio de armas precisa ter regras mais rígidas e o porte ilegal penas mais severas, mas proibir a venda é impulsionar o contrabando e, em muitas situações, jogar o cidadão de bem nos braços dos bandidos.
Seguindo esta linha, não é de se espantar se dentro de algum tempo os nossos políticos e administradores públicos não começarem a debater a proibição da venda de um outro tipo de arma: o automóvel.

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