23/02/2011

Agnello de Mello e Silva

A Copa do Mundo é nossa! Será?

Agnello de Mello e Silva é diretor do diaadianews e consultor em marketing político

Até a algum tempo atrás quem se atrevesse a fazer indagação acima seria duramente criticado e tachado de, dentre outras coisas, de “torcer” contra o Mato Grosso. Infelizmente, hoje em dia cada vez mais pessoas estão fazendo esta pergunta e os otimistas de outrora já não são mais tão otimistas assim.

A Agecopa, agência que foi criada pelo ex-governador Blairo Maggi para cuidar das obras da copa, até agora não mostrou a que veio.

Formada na sua maioria por políticos que foram reprovados nas urnas, a instituição tem aparecido na imprensa por conta das constantes intrigas lá existentes e que levaram o seu primeiro presidente, Adilton Sachetti a renunciar ao cargo, das viagens internacionais de seus diretores e por contratações feitas sem licitação.

Fora a execução do horroroso projeto do novo Verdão, não há nenhuma outra obra sendo executada em Cuiabá para a Copa de 2014. O que se escuta e vê é muita conversa. Ação que é bom, e necessário, nada!

Os mais otimistas podem dizer: “mas ainda faltam 3 anos e meio para a Copa”. Já os pessimistas, falam “faltam apenas 3 anos e meio”.

Se considerarmos que as obras de mobilidade urbana vão exigir inúmeras desapropriações e que certamente essas vão gerar demandas judiciais, podemos concluir que, lamentavelmente, os pessimistas têm razão.

Segundo a imprensa da capital, o próprio governador Silval Barbosa teria manifestado a interlucotores próximos a preocupação com a falta de ação da Agecopa, tanto que ele próprio deve conduzir os trabalhos daqui para frente, o que é um alento, pois Silval me parece ser um sujeito muito centrado e organizado.

Se já não bastasse os problemas caseiros, na semana passada foram anunciadas as cidades contempladas com o PAC Mobilidade Grandes Cidades, que prevê um investimento de R$ 18 bilhões nos próximos quatro anos. Cuiabá ficou de fora. Campo Grande , no vizinho Mato Grosso do Sul, está dentro.

A notícia caiu como uma bomba na classe política. A explicação do governo federal foi a de que o PAC só contemplou as cidades com mais de 700 mil habitantes (Cuiabá tem 551.310 moradores e Campo Grande 787.204, segundo o censo de 2010).

O governo do Estado emitiu uma nota onde procurou tranqüilizar a todos, dizendo que os recursos para Cuiabá já estão assegurados. O documento realmente trouxe alguma tranqüilidade, mas é inegável que ficamos com sensação de que dormíamos soberbamente enquanto Campo Grande trabalhava.

Aliás, esse mesmo sono atingiu a classe política do Vale do São Lourenço. Não vejo por aqui nenhuma mobilização para se discutir projetos que estruturem a região para aproveitar o fluxo turístico que o mundial irá proporcionar.

Se em relação a Cuiabá engrosso a fileira daqueles que estão cheio de dúvidas, o mesmo não posso dizer do Vale. Aqui eu sou um convicto: tenho a convicção de que vamos ver a Copa passar, da mesma forma que vimos centenas de empresas passarem pela BR-364 levando, emprego, renda e desenvolvimento para outras cidades e regiões.


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