04/02/2011
Onofre Ribeiro
Ainda dos 2 Mato Grossos (2)
é jornalista em Mato Grosso e secretário-adjunto de Imprensa da Secom-MT onofreribeiro@terra.com.br
Recebi muitas contribuições a respeito desse assunto tão mal-compreendido ainda, mesmo passados 32 anos, que foi a divisão de Mato Grosso, para criar o estado de Mato Grosso do Sul. A velha mal-querência que sempre existiu entre Campo Grande e Cuiabá, quando as duas cidades lideravam as regiões Sul e Norte do velho estado, não acabaram ainda.
Só pra lembrar duas delas no passado. Os militares fugitivos da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul (1835 a 1845) vieram para a fronteira Oeste do Brasil, no Sul de Mato Grosso, onde deram início às idéias divisionistas. O segundo fato, mais marcante, foi quando a Ferrovia Noroeste do Brasil, em 1915, que era planejada para sair de Bauru (SP) e chegar até Cuiabá, foi desviada para Corumbá e nunca chegou à capital do estado. O desvio deu-se justamente em Campo Grande que, de vila se transformou na mais importante cidade do Sul, engolindo até mesmo a histórica Corumbá, que era um centro de comércio internacional.
Os cuiabanos da época atribuíram aos líderes sulistas o desvio da ferrovia. Na realidade, o desvio deu-se mais pelo isolamento da fronteira Oeste, revelado na fragilidade de defesa demonstrada na guerra com o Paraguai (1865-1871). Mas como a mal-querência já existia, ficou pior e só fez crescer até os dias de hoje. Em 1977, quando foi assinada a Lei Complementar 31/77, carros com placas de Cuiabá foram apedrejados em Campo Grande. A data de 13 de outubro de 1’977 foi comemorada como o dia da independência.
A base da economia do Sul era a pecuária, concentrada no Pantanal Sul, com vastas fazendas no Pantanal Norte. Era uma região rica, mais rica que o Norte e muito melhor servida por rodovias e energia elétrica, fora o fato de Campo Grande ser uma cidade bem planejada. Cuiabá nasceu em torno do centro garimpeiro de ouro e cresceu sem planejamento até os dias de hoje. A simples comparação entre as duas cidades já era e ainda é um motivo para a mal-querência. Nisso Cuiabá perde de longe. Lá, os prefeitos eleitos após a separação, mantiveram uma linha fundamental de planejamento, ao contrário de Cuiabá onde a politicagem imperou no planejamento capenga.
Mas a mal-querência voltou com força na escolha da cidade-sede para os jogos da Copa do Pantanal. O governador André Puccinelli contratou o marqueteiro político João Santana para defender Campo Grande contra Cuiabá nessa escolha. Santana preferiu voltar às rixas entre as duas cidades e escrachou Cuiabá. Foi mal. A FIFA avisou que não gostou. O governador Blairo Maggi, de Mato Grosso, ignorou as rixas e foi junto com o presidente Lula à Suiça defender Mato Grosso. Lá nasceu a tese da Copa do Pantanal. Cuiabá reagiu contra a campanha de Campo Grande que considerou injusta e desnecessária. Mas a rixa renasceu e vai durar mais algumas décadas, mesmo que as gerações mais novas nas duas cidades tenham nascido muito depois da história divisionista e das pendências anteriores. O assunto continua amanhã.

Deixe seu comentário
Antes de escrever seu comentário, Atenção! O DIAADIA não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Processando... Aguarde
Imprimir






Comentários