18/03/2009

Agnello de Mello e Silva

E agora José?

Agnello de Mello e Silva é diretor do diaadianews e consultor em marketing político

 Todos os políticos de Jaciara e do Vale do São Lourenço são diretamente responsáveis pelo clima de apreensão que estamos vivendo por conta da situação das usinas. Eu disse TODOS! Os de ontem, os de hoje, os que estão exercendo cargos e os que não estão.

Deitados no berço esplêndido da política concentraram seus esforços apenas na idealização de ações estruturais e de forte apelo eleitoral, como construção de asfalto, escolas e unidades de saúde, dentre outras. Todas, obviamente, importantes e necessárias para o bem estar da população e crescimento das cidades.

Em uma analogia com um automóvel, é como se o dono de um veículo investisse na lataria, em um som potente, rodas esportivas, etc, mas esquecesse de dar um “trato” no motor. De uma hora para outra o motor quebra e o carro, com todos seus acessórios e equipamentos (alguns úteis outros supérfluos), simplesmente pára.

No mundo real vivido em Jaciara e no Vale foi exatamente isso que aconteceu. Os políticos se preocuparam com a infraestrutura, a maquiagem e com os dividendos políticos que as obras proporcionam, mas “esqueceram” do motor das cidades, no caso a economia.

Até hoje eles não se dedicaram, de forma séria e objetiva, a dar um “trato” na base econômica da região, em buscar alternativas para diversificar a nossa economia, que depende (ou dependia) quase que exclusivamente das atividades das usinas do Grupo Naoum.

Para eles, sem exceção, a possibilidade das usinas quebrarem era uma utopia. Impossível. Não havia essa chance. Mas elas estão quebrando (ou já quebraram) e o nosso motor também.

A usina parou, o emprego acabou, o dinheiro sumiu. Você marcha José, José para onde? Marcha José, José para onde? (*)

E agora José? Quem tem o poder milagroso ou a solução mágica para resolver o problema que fica pior a cada dia? Ninguém! Até porque mágica e milagre são duas coisas que só existem no nosso imaginário.

E agora José? O povo vai comer asfalto? Meio fio? Vai tirar o reboco das paredes das unidades de saúde e misturar com feijão? O comércio vai receber seus créditos de quem? Do Papa? E pior: Vai vender pra quem?

Que situação! E pensar que nos últimos seis anos indústrias e mais indústrias se instalaram em Rondonópolis sob os olhares despreocupados dos políticos do Vale, que confiando na força do Grupo Naoum, se preocupavam apenas em fazer obras e cuidar de suas “paróquias” e das “próximas eleições”.

Nenhum deles teve a capacidade de articular um movimento regional e interceder junto ao governador Blairo Maggi, o grande responsável pelo boom de Rondonópolis, para trazer pelo menos uma dessas indústrias para a região.

Longe de querer ser pessimista, até porque sou um otimista por natureza, a população pode se preparar, pois a única solução rápida para toda essa situação é a menos provável (mas não impossível): o Grupo Naoum conseguir um socorro e voltar às suas atividades normais.

Uma segunda alternativa seria o Grupo Naoum vender a planta (instalação) da Usina Pantanal.
Mas se em condições normais uma venda desse porte já é uma operação complexa, piorou quando ela envolve um grupo que está devendo uma “vela para cada santo” e que tem sua produção e seu patrimônio bloqueados pela Justiça.

E agora José? Agora os políticos estão preocupados.

E têm que estarem mesmo, porque é no colo deles que irá cair o caos social que toda essa situação poderá provocar. Tiveram a chance de planejar o futuro e não o fizeram, agora têm que resolver o presente e, se aprenderam a lição, planejar o futuro.



* Paródia feita com trecho do poema E Agora José ?


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