11/05/2009

Agnello de Mello e Silva

Calçadas: mais um exemplo de falta de civilidade

Agnello de Mello e Silva é diretor do diaadianews e consultor em marketing político

 A falta de civilidade e sobra de omissão que apontei no caso dos motoristas de carretas que insistem em transitar no perímetro urbano da cidade, contribuindo para a deterioração do nosso asfalto com os seus pesados, aplica-se também aos estabelecimentos comerciais que utilizam a calçada como extensões de suas lojas, irregularidade que foi capa da edição n° 7 do diaadianews impresso, que circulou no último dia 9.

Nesta segunda-feira, tive a curiosidade de passar pelo centro para ver como estava a questão. Tudo do mesmo jeito! Apenas na Romera os móveis foram retirados da calçada (parabéns!), nas demais, tudo como dantes. Na verdade, a impressão que se tem que é ninguém está ligando para nada, tanto faz como tanto fez.

Tal comportamento é lamentável dentro de uma sociedade dita organizada. A convivência harmônica dentre todos para construção de um objetivo comum, no caso uma cidade boa para todos (negros, brancos, pobres, ricos, etc) depende de vários fatores, mas um dos fundamentais é o exercício pleno dos direitos e o cumprimento, igualmente pleno, dos deveres. Não há direitos sem deveres e vice versa.

Em muitas cidades do Mato Grosso as prefeituras agiram e acabaram com a ocupação irregular das calçadas. Na edição da próxima quarta-feira do diaadianews impresso vamos mostrar alguns exemplos disso.

Mas há mais: em muitas cidades não é permitido o tráfego de caminhões no perímetro urbano e carga e descarga tem horário certo para começar e terminar. E em muitas os carros de propaganda volante têm que seguir a regra do volume a risca.

Em Jaciara tudo tem sido tolerado. Carretas arrebentam o asfalto do perímetro urbano, principalmente da periferia; carros de propaganda volante “estupram” nossos ouvidos com volumes de som que beiram o absurdo, lojas usam e abusam das calçadas, sem contar àquelas que ainda põe som na porta que dá para ouvir a léguas de distância.

A desorganização urbana é antiga, hábitos já estão agregados ao cotidiano da cidade e há grandes dificuldades em mudá-los. Os agentes políticos temem o desgaste de impor o cumprimento das normas; as pessoas sentem e convivem com o problema, mas é como se bradassem no deserto ante os ouvidos moucos de quem deveria fiscalizar e não o faz.

Em Rondonópolis, cidade bem maior do que Jaciara, o ex-prefeito Adilton Sachetti teve coragem e comprou briga com meio mundo, sofreu um terrível desgaste político, mas fez cumprir o Código de Postura do município e acabou com a bagunça nas calçadas e a farra dos carros de propaganda volante. Ele impôs limites.

Por conta da omissão existente, o tenente-coronel Medeiros, que está comandando o batalhão local da Polícia Militar há menos de um mês, saiu em peregrinação pelos bares da cidade exigindo a documentação dos mesmos e avisando que era para as mesas ser retiradas das calçadas (o Código de Postura permite, com critérios). Não sei se a Polícia Militar tem poderes para exigir documentação de um estabelecimento e fiscalizar postura, mas como ninguém faz, ela está fazendo.


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