07/10/2009
Agnello de Mello e Silva
Cadê o jornal? Estamos sem caixa
Agnello de Mello e Silva é diretor do diaadianews e consultor em marketing político
Desde o início tenho procurado manter uma relação absolutamente transparente com o público do diaAdia, tanto do portal quanto do jornal, por isso, apesar de constrangido, não vou me furtar e tão pouco me falta a coragem de comunicar aos nossos leitores, assinantes e anunciantes que a interrupção da circulação semanal do diaAdia ocorreu em virtude da absoluta indisponibilidade de caixa para fazer frente aos custos de impressão de suas edições. Em português claro: o caixa está zerado e não há dinheiro para pagar a impressão do jornal.
Desde o seu lançamento, o diaAdia convive com muitas dificuldades para colocar suas edições semanalmente nas ruas, levando à população de Jaciara e toda região informações isentas de qualquer outro compromisso que não seja o de informar com responsabilidade e seriedade.
Sem padrinhos e muito menos apoio de grupos políticos, ao contrário do que pensam alguns, o diaAdia tem um adequado nível de independência editorial, mas paga o preço por isso, até porque o investimento do comércio local em mídia impressa ainda é muito pequeno.
E no nosso caso ficou menor ainda depois das matérias que publicamos sobre o uso irregular das calçadas por algumas empresas, das quais não nos arrependemos e se for preciso, diante da omissão de prefeitura, câmara e MP, faremos de novo. Hoje, honestamente falando (ou escrevendo), dispomos de poucas alternativas para a captação dos recursos necessários à manutenção do jornal.
Um dos resultados de tal situação é a interrupção, como está ocorrendo agora, na circulação regular de nossas edições, o que gera mais dificuldades financeiras, pois deixamos de ter em mãos o nosso produto, e desconforto na equipe perante os assinantes, anunciantes, leitores e fontes de informação.
Ao longo desses meses, temos sido testemunhas de que muitos querem que Jaciara tenha um jornal forte, comprometido com os fatos e com o bom jornalismo, que mostre as coisas boas do nosso cotidiano, mas que também não se furte em denunciar os nossos problemas, até como forma de ajudar a resolvê-los, sendo esse, aliás, o nosso objetivo.
A questão é que muitos gostam e até aplaudem a atuação do jornal, mas são poucos aqueles que realmente contribuem, no caso aqui financeiramente (seja anunciando ou fazendo uma assinatura), para que um jornal assim possa se manter. Aos poucos que investem e nos ajudam os nossos mais sinceros agradecimentos.
Fico constrangido de expor a situação de forma tão realista, mas não me envergonho por isso, pois é preciso que as pessoas saibam, em especial aqueles que gostam de cobrar a imparcialidade da imprensa, mas não investem um vintém para isso; o quão difícil é fazer um jornal com a linha do diaAdia. Falar é fácil, mas administrar as contas no final do mês é que são elas.
Apesar das dificuldades, continuamos acreditando no projeto diaAdia e não pretendemos abandoná-lo no meio do caminho, razão ela qual estamos trabalhando na busca de parcerias comerciais que nos possibilitem a manutenção do jornal e, consequentemente, a sua regular circulação. Na caminhada podemos até fracassar, mas desistir jamais.
Existem, com certeza, caminhos mais fáceis, mas não queremos, sob nenhuma hipótese, comprometer a nossa independência editorial. Se o preço a pagar por isso for ter que deixar de circular uma vez ou outra, vamos passar o constrangimento de paga-lo, mas ao mesmo tempo, iremos manter intacto o compromisso com nossos leitores de fazer um jornalismo ético, sério e responsável.
Em resumo: se for para vender a linha editorial do diaAdia, passar a ser um veículo de comunicação "chapa branca", como muitos que existem por ai, prefiro fechar o jornal e, junto com o meu amigo Ganso (Ivan), voltar a "correr" o Estado fazendo assessoria de marketing político.
Por fim, pedimos a compreensão de todos, principalmente aos nossos mais de 200 assinantes e de nossos poucos, mas sempre presentes, anunciantes. Agradecemos o apoio dessas pessoas e empresas e solicitamos que não deixem de acreditar no diaAdia, pois com fé em Deus e com apoio de vocês, haveremos de vencer essa batalha.

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