22/02/2009
Renata Neves de Barros Freitas
Trânsito, álcool e volante: a liberdade de fazer escolhas
* Renata Neves de Barros Freitas é Pedagoga, Mestre em Educação e Especialista em Gestão de Educação no Trânsito. Coordenadora Geral de Educação para o Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso – DETRAN/MT nevesre.freitas@gmail.com
A ingestão de bebida alcoólica associada à direção de veículo automotor tem sido uma das maiores causas de mortes por acidentes de trânsito no Brasil. E nessa época do ano, sob o pretexto de curtir o Carnaval, as estatísticas aumentam consideravelmente.
Mas por que as pessoas ainda não se atentaram para a tragédia anunciada no trânsito? Por que dirigir sob o efeito do álcool é socialmente aceito? Qual a diferença entre dirigir a 140 km/h embriagado e sair disparando tiros de revólver por aí? Vivemos numa linha limítrofe entre o livre arbítrio individual e a preservação do bem-estar coletivo e do maior de todos os patrimônios: a vida.
Não tenho dúvidas de que a superação do entendimento do trânsito como espaço /instrumento de violência e de autoafirmação de jovens e adultos passa necessariamente por um processo de transformação social, de ruptura de paradigmas e de instauração de uma nova cultura. Nessa perspectiva, não existe outro caminho que não seja através da educação, voltada para a formação de novos cidadãos (e não de futuros condutores), pautada em valores e princípios, com competência para vivenciar hábitos e comportamentos seguros e responsáveis no trânsito. Entretanto, o processo educativo produzirá efeitos a médio e longo prazo.
Algo precisa ser feito hoje, aqui e agora para evitar que nossos jovens continuem não voltando para casa, que continuem terminando as baladas sob os leitos hospitalares, para que o trânsito deixe de produzir um número cada vez maior de feridos e sequelados. Nesse caso, três alternativas apresentam-se como viáveis.
Primeiro, a veiculação de informações acerca de educação e segurança de trânsito, realizada através de campanhas temáticas. O segundo caminho é a intensificação da fiscalização de trânsito, para coibir excessos e garantir a aplicação das Leis de Trânsito. Muitas das condutas irresponsáveis no trânsito decorrem da sensação de aparente impunidade, advinda da probabilidade remota do condutor vir a ser abordado por um agente de trânsito, em blitz ou barreiras policiais.
Quanto à terceira via, acredito no papel da família, na orientação dos pais voltada para a sensibilização de seus filhos para que estes sejam mais prudentes e responsáveis no trânsito. O medo de uma gravidez indesejada na adolescência ou do contágio de doenças através da relação sexual parecem ser as maiores preocupações dos pais nesse período do ano. Será que nos preocupamos em saber como nossos filhos voltarão para casa após os festejos do Carnaval? Nós interessamos em saber se fazem uso do cinto de segurança, mesmo no banco traseiro do veículo? Muitos jovens deixam de voltar para casa porque beberam e dirigiram; porque embarcaram numa carona com alguém que bebeu e, mesmo assim, dirigiu; porque foram de carona no banco traseiro e não usaram o cinto de segurança. Trânsito é atitute.
Antes que seja tarde demais, é preciso fazer a escolha certa: bebida e direção não combinam. Existem alternativas seguras para o trajeto de volta para casa: a carona com o amigo da vez (aquele que não bebeu), o táxi ou o transporte coletivo. Por isso, o apelo neste Carnaval: cuide de quem você gosta. Se dirigir, não vá beber!

Deixe seu comentário
Antes de escrever seu comentário, Atenção! O DIAADIA não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Processando... Aguarde
Imprimir




Comentários