20/10/2010

Adamastor Martins de Oliveira

Eu sou um mulçumano judio que vive com os cristãos

Adamastor Martins de Oliveira Cidadão de Mato Grosso e-mail: adamastorm@yahoo.com.br

Essa é tradução livre do estribilho da canção “Milonga del mouro judio” do compositor uruguaio Jorge Drexler, aquele mesmo que ganhou o Oscar de melhor canção original com “Al otro lado del río” que fez parte da trilha sonora de “Diários de Motocicleta”.

Nessa extraordinária letra, o cantor lança luz de quase cegar sobre a escuridão, assim como fez no seu videoclipe (http://www.youtube.com/watch?v=_6VS_R6lrtk), de um tema que começou e continua sendo explorado de forma pobre e preconceituosa na campanha do candidato José Serra nessas eleições, a religiosidade do povo brasileiro.

O candidato e alguns de seus poucos, fervorosos, obscuros e dogmáticos seguidores tentam incutir nas cabeças dos homens e mulheres de bem deste país o ódio e o preconceito religioso, algo que nunca existiu no Brasil. Lembrando que dogma, segundo o Dicionário Houaiss, é a aceitação de algo como verdadeiro e que não admite contestação.

Mas o pior é que não é só na religiosidade que o ódio tem sido disseminado pela campanha tucana, mas também o ódio contra os menos favorecidos: os sem terra, os sem teto, os sem estudo, os sem trabalho, os sem esperança...

Nesse “Vale Tudo” da estratégia “Demopsdbista”, tenho lido, em adesivos de carros de luxo, principalmente, slogans do tipo: “brasileiro inteligente vota Serra”. Obviamente, querendo dizer, que os imbecis votam em Dilma.

E não é bem assim, pois os que votam em Dilma têm a luxuosa companhia de intelectuais do porte e calibre de Chico Buarque, Marilena Chauí, Leonardo Boff, Oscar Niemayer, quase todos os reitores das universidades federais e muitos outros. Acho que, mesmo não sendo de nenhum partido, estamos, um tanto quanto, bem acompanhados intelectualmente.

E não duvido que os “fundamentalistas” da campanha serrista, por conta desses apoios, comece a questionar a qualidade intelectual desses ícones do Brasil.

Há muito, a oposição vem lançando factóides como foi o caso da acusação de que o governo federal é que teria retirado o delegado Protógenes das investigações do caso Daniel Dantas. Hoje, o ex-delegado, e deputado federal eleito, está participando ativamente da campanha de Dilma. Só falta dizerem agora que ele foi comprado.

O ex-servidor da Polícia Federal só está honrando sua biografia e a participação na coligação da qual fez e faz parte, atitude que não vejo em alguns eleitos que se beneficiaram dessas coligações e hoje se omitem em declarar o seu apoio à Dilma. Dizer que o fato de o partido ter apoiado determinado candidato no primeiro turno não influenciou em suas eleições é no mínimo irresponsável, pois na análise que fiz para a escolha do meu voto, lógico, considerei também quem apoiava o meu candidato e a quem ele apoiava.

E bastava, apenas, um eleitor pensando assim para justificar a continuidade do apoio declarado inicialmente através da coligação, é um compromisso que deveria prevalecer até o final das eleições, ao menos por honestidade partidária.

Mas além dos factóides, como se não bastasse, a campanha de oposição ainda trás outros ardis que misturam no mesmo balaio: guerrilheiro com terrorista (se Dilma é terrorista, Che Guevara também era?); defensor da despenalização do aborto com assassino de criancinhas; “privatizador” com “estatizador de estatais” (como se isso existisse); católico não praticante, agora, é sinônimo de ateu fervoroso; mulheres de atitudes firmes são tratadas como homossexuais e esses como aberrações da natureza; política de estado com aparelhamento da máquina; aumento do combate à corrupção com aumento da própria corrupção; continuidade de políticas sociais com ampliação e quase universalização dessas políticas; crítica aos setores cooptados da imprensa com censura prévia e por aí vai... Deixo um link mais apropriado para o e-leitor, se quiser, aprofundar um pouco mais nesses temas (http://matogrossovotadima13.campaignsender.com.br/ver_mensagem.php?id=H|349|52266|128591994272866000)

Ocorre que temos uma tradição no Brasil que é multicultural, multireligiosa, multiétnica e de tolerância com todos os matizes, sem radicalismos e sem rancores e não serão os e-mails fascistas, os panfletos apócrifos, os artigos venenosos, os comentários ardilosos e as notícias falaciosas, dos radicais das duas campanhas, que nos incutirão o ódio uns contra os outros, contra os nossos próprios semelhantes, sejam eles: petistas, psdebistas ou seja lá o que for!

Nessas eleições, o amor há de vencer o ódio, assim como em 2002 a esperança venceu o medo!


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