05/10/2010
Luiz Gonzaga Bertelli
O caminho do empreededorismo
Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.
O mercado de trabalho está mudando e os jovens precisam saber como construir carreira em território instável. Não é de hoje que o emprego com carteira assinada e todos os benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) vem perdendo espaço para novas modalidades de contratação. Criar e gerenciar seu próprio negócio – e, consequentemente, sua força de trabalho – pode não ser a garantia de um futuro profissional livre de percalços, mas com certeza fará a diferença na falta de uma ocupação.
Esse assunto me motivou até a escrever o livro Formando empreendedores – Guia para o estudante que sonha com negócio próprio ou com sucesso na carreira profissional, lançado e distribuído gratuitamente aos estudantes há quase quatro anos. A obra traz depoimentos de diversos especialistas, que abordam a realidade do mercado; a relação entre o empreendedorismo dos cidadãos e o desenvolvimento do Brasil; a formação e o perfil do empreendedor; conselhos sobre como vencer os entraves que sempre aparecem em projetos; sistemas de proteção – como incubadoras de empresas –; a importância e o valor da marca, entre outras dicas.
O grande exemplo de empreendedorismo brasileiro é Ozires Silva, ex-presidente da Embraer e da Petrobras, que não contente em ter realizado um sonho pessoal, que era integrar a Força Aérea Brasileira, entendeu que o País deveria ter uma fábrica de aviões e mobilizou-se para estimular pessoas a aderir a esse ideal e auxiliá-lo. Com isso fundou a Embraer que, em 1970, iniciou a produção brasileira de aviões.
O empreendedorismo também pode ser praticado em menor escala pelo jovem no seu dia-a-dia. Trata-se do intraempreendedorismo, que é a aplicação das ideias de inovação dentro da própria empresa em que atua como estagiário, aprendiz ou mesmo empregado. Essa habilidade também pode se manifestar como a tão valorizada iniciativa ou proatividade. Ou seja, o jovem que não tem experiência para criar projetos ou descobrir novas áreas de atuação também não pode ficar em seu canto, esperando que alguém lhe passar alguma atividade. Ele precisa mostrar-se interessado, propor soluções, tirar dúvidas e absorver o máximo de informação sobre sua área de atuação. Um futuro profissional preparado para atuar com autonomia dentro e fora de uma empresa terá sempre uma ocupação garantida.
SOBRE O CIEE
Fundado há 46 anos, o Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE é uma organização não governamental (ONG), filantrópica e sem fins lucrativos, que tem como finalidade principal a inclusão profissional de jovens estudantes no mercado de trabalho, por meio de programas estágio e de aprendizagem, contando com a parceria de 250 mil empresas e órgãos públicos de todo o País. Mantido pelo empresariado, sua atuação se pauta pela legislação específica: a Lei 11.788/2008 para o estágio e a Lei 10.097/2000 para a aprendizagem.

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