30/09/2010

Adamastor Martins de Oliveira

Os “Cabeçudinhos”

Adamastor Martins de Oliveira Cidadão de Mato Grosso e-mail: adamastorm@yahoo.com.br

“Cabeçudinho” é como a molecada chama aquele garoto talentoso e estudioso, o “nerd”.
Concordemos, aqui entre nós, que há um quê de violência psicológica nesses termos (quase bullying), mas esse comportamento, por vezes, até agressivo, contra os mais estudiosos é muito culpa dos próprios educadores atuais.
Há uma espécie de consenso na “nova pedagogia” de que não se deve enaltecer, premiar e vangloriar em demasia esses garotos e garotas que se destacam pela inteligência e esforço próprios.
Isso seria uma forma, segundo esses “teóricos de almanaque”, de desestimular os demais “menos estudiosos”. Há um quase constrangimento quando se fala em se formar seleções das melhores mentes do colégio! Para esses hermeneutas da “escola nova” isso seria um absurdo, “seria muito prejudicial” ao “processo ensino-aprendizagem”.
Ora, mas quando se trata de formar as seleções dos melhores no futebol, no basquete, no vôlei, deixando muitos de fora, não há constrangimento nenhum!
Esses, os das seleções esportivas, são premiados em grandes festas, são enaltecidos nos murais e veículos de comunicação, tanto das próprias escolas, como da mídia em geral. Acho isso muito justo.
Mas não é justo que muitos desses “cabeçudinhos”, que dedicam horas e horas aos estudos, sejam ridicularizados pelas inabilidades físicas, e, quanto a isso, esses educadores parecem não enxergar nenhum constrangimento, pois, para eles, o intelecto deve ser nivelado por baixo.
Esses prodígios dos livros são alijados das brincadeiras físicas, dos jogos e até do convívio com os demais colegas. Aí não existe problema, eles são inteligentes e sabem lidar com isso, dizem.
O problema, mesmo, aparece na hora de premiá-los pelo desempenho escolar.
Algumas escolas chegam a esconder dos demais os elogios aos “cabeçudinhos”! Chamam num canto e entregam as notas:
- Meus parabéns pelo dez de matemática, mas, olha, não fala pra mingúem que te elogiamos, tá?
Os “cabeçudinhos”, coitados, também são alvos de críticas até depois de concluírem os estudos, já na luta diária dos adultos e passou muito da hora de mudarmos isso! Não deve haver constrangimento para premiar o mérito, seja ele qual for!
Joaquim Murtinho, Cândido Rondon, Dom Aquino Correa, Eurico Gaspar Dutra e muitos outros, gostem ou não, esses “cabeçudinhos” de Mato Grosso, fizeram história e ajudaram a construir este país, projetando o nosso estado para o Brasil e para o mundo, seus nomes estão gravados nas estrelas.
E agora, em três de outubro, temos a oportunidade de lançar mais um “cabeçudinho matogrossense”, de grande talento, para aumentar nossa constelação de grandes ícones.
A plataforma de lançamento está pronta e nós, com nosso voto, o alçaremos para vôos muito mais altos, com conexão no Senado, pois a esse grande cuiabano, ex-Procurador da República, não faltará grandeza para representar a nossa altivez.
Não neguemos a mais esse “cabeçudinho” o direito ao mérito!


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