11/09/2010
Deniz Espedito Serafini
Será que o Pepito não vai botar a mão nessa grana?
Deniz Espedito Serafini, é presidente da Associação Brasileira de Proprietários Rurais
Os jornais estão publicando que serão rateados mais de R$ 3.000.000.000.000,00 (três) bilhões, repito bilhões de reais de nossos impostos para o governo Lula/Dilma indenizar seus colegas perseguidos pelo golpe militar de 1.964. Tudo legal na versão companheira.
Daí me veio à lembrança uma figura lendária de minha vida acadêmica: o Pepito. Não escrevo seu nome, porque realmente não o sei, mas se necessário irei aos arquivos das faculdades de Direito e Odontologia de Pelotas e lá, tenho certeza, encontrarei não somente seu nome, também sua nacionalidade.
O Pepito estudou alguns anos para ser dentista; outros anos para ser advogado e, dizem, que outros tantos para ser médico e outros mais para ser agrônomo. Nunca se formou em nada, pelo menos no meu tempo. Nem poderia porque era Panamenho e estava no Brasil através de um intercâmbio universitário, por isso estava em nosso enquanto estudante.
Mudava de curso não por ser fraco da cabeça, nem por ser displicente. Pelo que ele fazia, paralelamente, aos estudos acadêmicos era importante demonstrar o contrário: bom aluno, perspicaz e brilhante no debate. Conhecia Fidel como ninguém. Sabia demais sobre Karl Marx, Friedrich Engels, Stalin, comunismo e guerrilha.
Na casa de estudantes da Universidade Federal de Pelotas, ele dormia armado com uma bela pistola estrangeira, mais um pente de balas. Essas ferramentas de trabalho o acompanhavam na cama, ou melhor, em cima de sua cama, na grade do beliche, logo abaixo de minhas costas, porque eu dormia na parte de cima do mesmo beliche.
Confesso que tive que ler O Capital e muitos folhetins comunistas para poder tentar discutir com ele, que já falava português muito melhor que muito brasileiro.
Pepito sabia de tudo sobre seqüestros, assaltos e guerrilhas e podia dar aulas para muitos desses aquinhoados hoje pela bolsa guerrilha de como organizar as massas populares e, especialmente, a juventude para desestabilizar governos. Sobre o regime a ser implantado no país nem se fala. Com certeza, poderia dar aulas ao Dirceu, ao Genoíno, Delúbio, etc.
Organizava uma greve como ninguém. Porém, poucos sabiam que ele estava por trás de qualquer movimento subversivo, como diriam os militares. Sempre apareciam jovens líderes nacionais para praticar sua cartilha. Dava status, era moda ser anarquista. Usar uma camiseta com foto do Che nem se fala, era uma ostentação.
Para mim e demais colegas de quarto, Pepito confidenciava: recebia boa bolada mensal, em dólares, de Cuba, do amigo Fidel e seu compromisso era grandioso: ajudar os companheiros a derrubar o governo e implantar o regime cubano no Brasil.
Na nossa formatura ele não apareceu. Todo mundo ficou perplexo, afinal Pepito era um dos melhores, pelo menos dos mais inteligentes acadêmicos.
Mudei de Pelotas, fui advogar em minha terra natal e nunca mais ouvi falar do panamenho amigo do Fidel. Agora estou procurando seu nome nos aquinhoados pelo Tesouro Nacional para ver se ele vai receber sua parte e, com isso, me pagar os trocados que lhe emprestei na vida dura de estudante. Se for estrangeiro que importa, afinal quantos Chaves deitam e rolam nesse país.

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