12/01/2010
Luiz Gonzaga Bertelli
Jovens, talentosos e brasileiros
Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.
Ao contrário do que podem pensar os mais desavisados, não é apenas na Copa das Confederações ou outros torneios mundiais que os brasileiros estão levantando as taças. Acontece que o verde e amarelo está brilhando também em competições que dispensam músculos, mas exigem cérebro e dedicação ao aprendizado – e, por uma dessas injustiças da vida, são bem menos festejadas. Em julho do ano passado, estudantes brasileiros conquistaram três primeiros lugares, um segundo e dois terceiros, nas nove categorias em disputa na final da Imagine Cup 2009, realizada no Egito.
Os vencedores da etapa brasileira, pré-classificados para a final mundial, foram anunciados durante a Feira do Estudante – Expo CIEE 2009. Um ambiente mais do que adequado para os objetivos da Microsoft, promotora do concurso e parceira do CIEE há quase 15 anos: estimular os jovens do planeta a imaginar um mundo melhor, utilizando a tecnologia com talento e capacidade de inovação.
Ao levar o ouro em Desenvolvimento de Jogos, os brasileiros do Levv IT Team deixaram para trás representantes de países com forte tradição em desenvolvimento de softwares, como Índia e China. Eles criaram o game Choice, que põe os jogadores a atuar para que o mundo cumpra as oito Metas de Desenvolvimento do Milênio. Os outros dois grupos campeoníssimos venceram nas categorias Interoperabilidade (com projeto voltado para a interação professor-aluno na educação a distância) e Design de Interface (com proposta que de integrar a literatura infantil ao mundo virtual).
Com tais conquistas, é fácil deixar-se levar pelo otimismo, afinal subir ao pódio em seis categorias num total de nove não está nada mal para um País com menos da metade dos adolescentes de 15 a 17 anos matriculada no ensino médio e apenas três em cada dez habitantes com acesso à internet.
Na contramão da usual crítica às condições socioeconômicas, vale uma pergunta, um tanto otimista: onde nossos jovens irão parar quando o País contar com uma distribuição de renda menos injusta – o que significará mais computadores nas residências, mais escolas bem equipadas e mais professores aptos a usar recursos tecnológicos? A partir do pequeno exemplo do Egito, não é difícil prever um futuro promissor para as novas gerações. Um futuro que só depende das decisões e atitudes que os brasileiros de hoje tomarem.
*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.

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