Agronegócio
10/02/2009 | Mato Grosso
Participação pífia do Estado no seguro rural
PáginaRural
Mato Grosso registra na atual temporada agrícola, safra 2008/09, uma pífia participação no seguro rural. As 1,63 mil operações realizadas para este ciclo representam apenas 2,71% do total negociado no país. O alto custo de produção local faz o produtor priorizar outras necessidades da lavoura e a falta de benefícios regionalizados são fatores que afugentam os mato-grossenses deste processo. Numa lavoura de soja, por exemplo, apenas 70% da produtividade tem cobertura e a natureza dos sinistros, como geada e vendavais, está fora da realidade estadual.
Neste contexto, o maior produtor nacional de soja e algodão herbáceo tem apenas 7,96% da sua área cultivada, segurada. Já o valor subvencionado no Estado representou apenas 4,20% do total pago no país.
Os números, divulgados pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apontam que Mato Grosso como um dos estados que menos utilizam o seguro rural. Na safra atual as negociações do seguro totalizaram R$ 6,62 milhões em subvenção e valor arrecadado de R$ 13,43 milhões. A área coberta pelo seguro foi de 379,23 mil hectares e a importância segurada atingiu a cifra de R$ 427,17 milhões. Mato Grosso tem mais de oito mil hectares cultivados, sendo pouco mais de 5 milhões destinados à soja.
Em todo o país foram realizadas no ano passado 60,12 mil operações, com o montante segurado de R$ 7,21 bilhões, área segurada de 4,76 milhões de hectares e valor subvencionado de R$ 157,54 milhões.
Para o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte, a participação do Estado no mercado de seguro agrícola continuará inexpressiva sempre que comparada ao restante do Brasil. Segundo ele, o custo de produção em Mato Grosso “é altíssimo”, desestimulando o produtor a utilizar o seguro agrícola. “Em tempos de custos elevados, o produtor acaba cortando despesas extras para melhorar sua renda”, explica ele.
Outro problema, na avaliação de Duarte, é que o seguro rural em Mato Grosso não garante produtividade suficiente ao produtor. De acordo com a Aprosoja/MT, em média, o seguro garante apenas 35 sacas de soja por hectare, representando 70% da produtividade média (50 sacas/hectare).
“Nos Estados Unidos a quantidade segurada por hectare é parecida com a nossa, porém o custo de produção é bem menor e acaba sendo coberto pelo seguro”.
Ele diz que o instrumento é fundamental “para termos uma agricultura moderna e segura. No entanto, alguns ajustes e adequações precisam ser feitos para tornar este mecanismo mais atraente ao produtor”.
Duarte aponta ainda que em Mato Grosso outro motivo justifica a baixa procura pelo seguro, sendo este, relacionado à natureza dos riscos cobertos, que contemplam basicamente eventos como granizo, tromba d´água, geada, chuvas em excesso, estiagem, vendaval e incêndio e não-germinação.
Sojicultores lideram operações
Os sojicultores mato-grossenses são os que mais se utilizaram do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural em 2008, com extraordinária participação no montante das operações, importância segurada, área, subvenções e valor arrecadado total no Estado.
De acordo com levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a soja aparece com 1,49 mil contratos, participação de 91,19% no total das operações realizadas no ano passado (1,63 mil contratos).
A importância segurada para a cultura da soja alcançou a cifra de R$ 368,91 milhões (86,36% do total), enquanto a área segurada cobriu 350,31 mil hectares, representando participação 92,37%. Já o valor arrecadado com a soja foi de R$ 10,74 milhões, 79,97% do montante total (R$ 13,43 milhões) e, subvenções, R$ 5,29 milhões (79,90%), ante o valor global de R$ 6,62 milhões.
O algodão aparece em segundo lugar em volume de contratações de seguro rural em Mato Grosso, com 102 operações, importância segurada de R$ 40,36 milhões, área segurada de 13,94 mil hectares e valor subvencionado de R$ 1,10 milhão.
Em terceiro lugar desponta o milho, com 33 apólices, o que garantiu seguro para uma área cultivada de 6,85 mil hectares. A importância segurada foi de R$ 7,94 milhões e o valor das subvenções atingiu R$ 165,88 mil.
O milho safrinha registrou apenas cinco operações, com valor segurado de R$ 1,05 milhão, área de 1,95 mil hectares e subvenção de R$ 42,71 mil.
As áreas de florestas registraram apenas dois contratos, com importância segurada de R$ 7,92 milhões, área coberta de R$ 5,22 mil hectares e valor subvencionado de R$ 17,43 mil.
Por último aparece a cana-de-açúcar, também com duas operações no Estado que resultaram em um valor segurado de R$ 978,59 mil e cobertura de 939 hectares. O total das subvenções foi de R$ 2,74 mil.
LENTIDÃO
Os técnicos do Mapa reconhecem que a expansão do seguro é lenta, uma vez que não depende apenas da demanda do produtor, mas também da oferta de produtos por parte das seguradoras.
Entre as vantagens para o produtor destacam-se: isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), financiamento pelo Banco do Brasil, bônus e adicional de limite de crédito (com a adesão ao seguro, o agricultor poderá ter uma elevação de 15% quando da contratação do teto de crédito).
ALTO RISCO
Para o corretor de seguros Arnaldo Coelho Filho, o que mais chama a atenção é que, mesmo sendo uma área produtiva de alto risco, o agronegócio tem baixa oferta de seguros. “O agronegócio é uma atividade arriscada, mas não conta com uma forma eficaz de proteção financeira contra as quebras de safra”, diz. Os mato-grossenses também não têm o hábito de segurar as lavouras, diferentemente do que acontece no Sul do país. “Como o risco de perda por problemas climáticos é menor no Centro-Oeste, os agricultores acham que nunca vão ter perdas, mas é um comportamento que começa a mudar”.










