Agronegócio
05/02/2009 | Empréstimos suspensos
Negócios por meio de ACC estão paralisados
PáginaRural
Os negócios por meio dos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACCs) ao produtor estão paralisados em Mato Grosso. “Os bancos suspenderam os empréstimos e alegam que estão sem linha de crédito para este fim [ACC]”, diz o coordenador do Centro de Comercialização de Grãos (Centro-Grãos) da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, João Birkham.
Os ACCs são operações de crédito através da qual o banco, comprador da moeda estrangeira, adianta o valor da moeda nacional ao exportador, total ou parcial, quando da contratação do câmbio anterior ao embarque da mercadoria. Este financiamento proporciona apoio financeiro à produção da mercadoria.
“No caso de Mato Grosso as operações estão praticamente estancadas, não há crédito disponível para o produtor”, afirma Birkham.
A paralisação das operações de ACC preocupa os produtores mato-grossenses. “Os pouquíssimos negócios que aparecem são a juros exorbitantes, praticamente inviabilizando a operação para o produtor”, conta o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Ricardo Tomczyk. Segundo ele, os juros anuais – que oscilaram entre 8% e 9%, no ano passado, saltaram para 16% a 18%.
“A falta de crédito e as elevadas taxas de juros deixaram o produtor de algodão sem boa parte do dinheiro para complementar o plantio da safra 2008/09. Com isso, teremos uma redução acima de 30% na área plantada este ano”.
Tomczyk acredita que os produtores terão dificuldades também para comercializar a safra porque as tradings que abastecem os produtores com crédito de ACC saíram do mercado. “O nosso receio passa a ser com a safra 2009/10, uma vez que a atual safra já foi plantada e está sendo colhida. A sorte dos produtores é que a crise estourou no final do ano [passado], quando todo mundo quase já tinha plantado. Como vai ser a próxima safra é a nossa grande pergunta”.
Para ele, se continuar a restrição generalizada em relação aos ACCs, muitos produtores não terão onde captar financiamentos. “E tudo indica que essa situação vai permanecer”.
Tomczyk explica que os bancos que operam com câmbio concedem aos exportadores adiantamentos sobre contratos de câmbio, que consistem na antecipação total ou parcial de recursos financeiros ao exportador, em moeda nacional, correspondentes a pagamento que será efetuado por importador em futuro próximo.
Os recursos normalmente oferecidos podem ser utilizados para a produção, comercialização externa ou mesmo ambas as fases.
Podem ser amparadas as empresas que exportam direta ou indiretamente, a exemplo das vendas para comerciais exportadoras, tradings, consórcios e cooperativas.
O ACC é uma operação de empréstimo baseada em promessa do exportador de entregar no futuro, após o embarque da mercadoria, divisas de exportação ao banco financiador, e obrigatoriedade de comprovação da exportação em valor equivalente ao emprestado.
Quando voltado exclusivamente à comercialização externa (pós-embarque) o ACC passa a ser denominado no mercado como ACE, pelo fato de tradicionalmente ocorrer a emissão de um saque (título de crédito ou cambial), aceito pelo importador e entregue ao banco, pelo exportador, junto com os demais documentos e direitos sobre a venda a prazo.









