MATO GROSSO, 10/02/2012 - 2:39

Agronegócio

12/02/2009 | Açúcar

A produção de álcool e açúcar sofrerá recuo

Divulgação Produtores atentos ao comportamento do mercado internacional

PáginaRural

O início da colheita de cana-de-açúcar em Mato Grosso está previsto para o mês de abril, mas uma coisa já é certa: a produção de álcool e açúcar vai sofrer um recuo de pelo menos 10% em relação à safra passada por conta da menor aplicação de tecnologia nas lavouras, no ano passado.

“Os preços dos fertilizantes sofreram altas abruptas e, com isso, as usinas foram obrigadas a reduzir pela metade a quantidade de adubos. O resultado disso será queda de produtividade”, afirmou o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindácol), Jorge dos Santos.

Além deste problema, os produtores enfrentam ainda a escassez de chuvas durante o plantio de cana-de-açúcar este ano, que irá refletir na produção de 2010, safra 2011.

“É uma incógnita, assim como a safra que iremos colher a partir de abril. Qualquer previsão que fizermos agora em termos de volume de produção é chute, mas é certo neste momento que na melhor das hipóteses teremos uma perda de 10% na produtividade”, afirmou Santos. Ele não informou a extensão da área plantada de cana-de-açúcar em Mato Grosso. Em 2008, a área ficou em torno de 220 mil hectares.

No ano passado, as 11 usinas sucroalcooleiras do Estado produziram cerca de 900 milhões de litros de álcool, sendo 550 mil litros de hidratado e 350 mil litros de anidro. Caso a redução fique em 10%, a produção cairá para 810 milhões de litros.

A produção será garantida pelas 11 usinas em funcionamento no Estado – Itamarati, Cooprodia, Libra, Cooperb I, Pantanal, Barrálcool, Gameleira, Jaciara, Cooperb II, Usimat e Alcoopan – que geram cerca de 17 mil empregos na indústria e na atividade canavieira no período de colheita.


AÇÚCAR

Os usineiros se preparam para o início da produção de álcool de olho nos preços do açúcar no mercado internacional. “Para este ano há uma previsão de que os preços continuem em alta. E, se esta tendência se confirmar, os produtores vão migrar para a produção de açúcar”. Segundo ele, a questão é mercadológica. “Se os preços do açúcar forem mais atrativos, o produtor dará preferência para este produto”.

De acordo com as estatísticas, nos últimos dois anos os preços pagos aos usineiros oscilaram entre R$ 25 e R$ 28 a saca de 50 quilos. Este ano os preços já atingiram a casa de R$ 44. Mas os preços ainda estão voláteis e dependem basicamente da produção de outros países como China e Índia.

“Os produtores de Mato Grosso estão atentos ao comportamento do mercado internacional. Seja para exportação direta, seja para repor o mercado interno nos mercados mais fortes em exportação, poderemos ser beneficiados com a produção de açúcar este ano”, prevê.

Segundo ele, por conta deste cenário as usinas que produzem açúcar - como Barrálcool, Itamarati, Cooprodia, Jaciara e Pantanal – devem dar preferência a este produto no início desta safra. “Os usineiros vão trabalhar neste primeiro momento direcionando a cana para a produção de açúcar. Mas não faltará álcool no mercado, pois produzimos o dobro do que consumimos na região”, assegura Santos.

Segundo ele, os preços do álcool estão se mantendo nas usinas, “não há oscilações expressivas e os estoques estão garantidos até o final da safra”.